quinta-feira, 27 de novembro de 2008

1º Domingo do Advento - Ano B - Marcos 13, 33-37


ADVENTO
No novo ano litúrgico que começa hoje, será proclamada a cada domingo uma passagem do evangelho de Marcos, o qual oferece um retrato do Jesus histórico e que é a base dos evangelhos de Mateus e Lucas. Podemos dizer que Marcos é o evangelho mais original entre os evangelistas, pois foi o primeiro a ser escrito: todo centralizado sobre o segredo messiânico, isto é, à luz da Páscoa revela progressivamente o mistério do homem Jesus, o Cristo esperado, mas também inesperado Filho de Deus.
Deste modo, hoje começamos a viver um novo tempo: o tempo do Advento. Advento, do latim, adventus, significa chegada, vinda, e por isso, também o que envolve a chegada, como a espera, a busca, a vigilância, o fazer-se próximo, o aproximar-se de Deus da nossa vida: “Senhor, tu és o nosso pai, nosso redentor; vens ao encontro de quem pratica a justiça com alegria, de quem se lembra de ti em teus caminhos” (Is 63,16b; 64,4).
O Advento, no início do ano litúrgico, é cheio de alegria e esperança. Porque enquanto nós lembramos e comemoramos a primeira vinda de Jesus, nos empenhamos a viver o presente como tempo de responsabilidade e de vigilância. De fato, Jesus já veio uma vez e o Natal é a comemoração desta vinda, mas Jesus virá novamente, e o tempo de Advento nos faz viver esta espera.
Como ajuda para compreendermos e vivermos a Palavra de Jesus que nos leva à plenitude de vida, neste primeiro domingo do Advento, apresento de forma breve e clara os passos para uma correta lectio divina, que pode ser feita tanto individualmente como em grupo (círculo bíblico).
Mas o que é a lectio divina? A Palavra de Deus é base para a oração. A oração é a resposta a Deus que se comunica conosco a cada momento. E, por ser um diálogo, essa resposta deve levar a uma mudança de mentalidade e de vida, à conversão, pois todo diálogo muda a visão precedente, caso contrário seria monólogo. Assim, a oração é um diálogo onde Deus é sempre quem toma a iniciativa e o ser humano responde.
O Sínodo dos Bispos realizado em outubro deste ano no Vaticano favoreceu a Lectio Divina ou a “leitura orante da Sagrada Escritura” como uma forma altamente eficaz da escuta e da vivência dessa Palavra que transforma a nossa vida pessoal e da comunidade na qual estamos inseridos.
O Papa Bento XVI ao término do Sínodo acrescentou: “uma boa exegese bíblica (interpretação de um texto bíblico) exige tanto o método histórico-crítico como o teológico, porque a Sagrada Escritura é Palavra de Deus em palavras humanas. Cada texto, portanto, deve ser lido e interpretado tendo presente a unidade de toda a Escritura, a viva tradição da Igreja e a luz da fé. Exegese científica e lectio divina, portanto, são ambas necessárias e complementares para buscar, através do significado literal, o espiritual, que Deus quer comunicar a nós hoje”.
1. LEITURA (LECTIO): O que diz o texto?
Este primeiro momento consiste numa leitura do texto bíblico a fim de compreender o significado que o autor original quis comunicar aos seus leitores. É útil ler o texto várias vezes e em traduções diferentes para se ter uma compreensão mais profunda do relato. Para esta parte da lectio, os comentários exegéticos podem ser de grande ajuda, especialmente para não se cair no erro de uma interpretação arbitrária do texto bíblico.
Interpretação do texto:
“Cuidado! Ficai atentos!” Este pedido de Jesus aos discípulos para que percebam com um olhar lúcido e apurado aquele que vai chegar e o momento no qual vai chegar atravessa todo o seu discurso no trecho do evangelho de hoje. Com isso, Jesus quer que seus discípulos dêem uma justa interpretação e não se deixem enganar. A ênfase é clara. São quatro vezes em poucos versículos que Jesus os exorta a vigiar. Verdadeiramente, é muito importante estar acordados.
No v. 32 que não aparece no nosso texto, Jesus já tinha afirmado que só o Pai conhece a hora. Dirigindo-se aos quatro discípulos com quem ele fala no relato, ele lembra-lhes que não sabem quando o Senhor virá, e liga esta exortação ao fato de estar sempre acordado. Ele até faz uma comparação para facilitar: os discípulos são os empregados cujo patrão saindo para viajar, confia a eles o cuidado de sua casa, dando a cada um uma tarefa bem precisa, incluindo o porteiro que literalmente tem a tarefa de vigiar. E, justamente, porque esses não sabem quando o dono da casa vai voltar, devem estar sempre prontos, vigilantes para a sua chegada. Pode ser que o patrão chegue a qualquer hora: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer. A casa está sem o patrão, mas os empregados devem viver como se ele estivesse presente. Enfim, tudo na sua casa fala dele, cada ângulo e cada situação. Quem serve animado pelo amor, respira uma familiaridade e partilha de vida que faz da espera do retorno um momento de plenitude.
Obviamente, este “vigiar” não significa que os discípulos de Jesus tenham que ficar sempre acordados, não possam se deitar pra dormir, o que é fisicamente impossível. Mas, devemos entender este vigiar como uma metáfora que indica estar atento e em oração constante: Vigiai e orai (14,38). Assim, vigiar significa que quem é discípulo de Jesus deve reconhecer continuamente seu estado de servo com relação ao patrão, a quem estão ligados pela tarefa recebida dele e dever viver e agir de acordo com este comportamento.
Mas devemos ter cuidado com uma coisa: se como o patrão não está visivelmente presente, existe sempre o perigo de esquecer-se dele e da tarefa que ele encarregou, o perigo de se achar patrão e de agir segundo os próprios caprichos, e aí a coisa está muito errada por parte do empregado.
Os empregados que vigiam estão sempre ligados ao seu chefe e sempre prontos a prestar-lhe contas de tudo.
Jesus termina o discurso enfatizando e estendendo a todos a sua exortação: “o que vos digo, digo a todos: vigiai! Todas as pessoas, sem exceção, se encaixam nesse “todos” que sai da boca de Jesus.
2. MEDITAÇÃO: o que me diz o texto? O que nos diz o texto?
Este momento consiste numa reflexão sobre a finalidade última do texto. O que o texto quer me dizer hoje? Aqui, deve-se ter muito cuidado para ver o que o texto realmente me diz e não o que eu quero que o texto me diga; isto se consegue quando se está de acordo com o significado original do texto que já deduzimos no momento da leitura.
Eis algumas pistas para ajudar a fazer a meditação de hoje: não sabemos quando será o momento preciso. Para o homem moderno que tudo quer saber, esta palavra é libertadora. A espera cria espaços profundos na pessoa, abre a novidades, e a memórias eficazes. Sou consciente de que todas as coisas que tenho ou com as quais estou envolvido um dia desaparecerão para sempre? Estou preso à moda, a um certo status, a ter muitas coisas, a causar inveja, ao poder, ao prazer, ao possuir, ao dinheiro? Sou consciente de que todas estas coisas acabarão um dia e que só a Palavra de Deus que é o próprio Jesus Cristo permanecerá para sempre e só o que permanecer nele, poderá também permanecer para sempre? É um incômodo para mim, fazer este encontro diário com Jesus através de sua Palavra? Dou-me conta de que a religião não é um formalismo nem um ritualismo, mas algo que me faz ser uma pessoa melhor? O que significa hoje, em minha vida o convite de Jesus: “Ficai atentos!” de que modo posso vigiar hoje? Sou consciente da necessidade de estar sempre preparado, enquanto espero a vinda gloriosa de Jesus? O que isso implica no meu comportamento perante Deus e o meu próximo? Estou pronto a encontrar Deus no meu próximo?
3. ORAÇÃO: o que digo a Deus? O que dizemos a Deus?
Este momento consiste na oração que nasce da meditação. É uma espontânea reação do coração em resposta ao texto. É um pedido de ajuda a Deus para reconhecer o que o texto suscitou em mim e para responder a essa provocação.
4. CONTEMPLAÇÃO: como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?
A contemplação consiste na adoração, no louvor e no silêncio diante de Deus que está falando comigo. A verdadeira contemplação cada vez mais me revelará quem eu realmente sou e, ao mesmo tempo, revela Deus que se revela a esta melhor compreensão do eu. Na medida em que estou contemplando, liberto-me do perigo de impor ao texto uma interpretação minha, egoísta, longe do que realmente Deus quer me revelar. Finalmente, Deus me convence que estou errado e que sou capaz de mudar.
5. AÇÃO: com que me comprometo?
Escolha concreta de uma ação a cumprir. O Espírito Santo que inspirou os autores sagrados me inspira quando eu escuto a Palavra, me capacita e me convida a colocar em prática aquilo que eu escolhi.
Proponho-me neste tempo de preparação a fazer um sério exame de consciência. Confrontar todos os dias o que eu faço com o estado de vigilância. Busco sempre o perdão de Deus?
É preciso perceber que um tempo novo começou e, portanto, ter esse desejo de ser vigilante. O que podemos fazer em comunidade para mostrarmos aos demais que estamos em tempo de espera? Tanto como algo interior, mas também de forma visível, favorecendo as obras de caridade e misericórdia.
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