quinta-feira, 2 de outubro de 2008

XXVII DOMINGO COMUM - Mt 21,33-43


A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular
O profeta Isaías dedica um dos seus mais apaixonantes cânticos poéticos à vinha de um amigo seu (I leitura). Trata-se de uma vinha plantada com amor, protegida, podada com muito cuidado e cheia de tantas esperanças. A vinha do Senhor é o seu povo: “a vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e o povo de Judá, sua dileta plantação”. Mas, infelizmente, esta vinha, isto é, o seu povo lhe foi infiel. No tempo da colheita, as expectativas deixam lugar a decepções e amarguras: uvas selvagens em vez de uvas de verdade; em vez de frutos de justiça e retidão, o povo produziu derramamento de sangue e gritos de opressão. O drama daquela vinha torna-se, de fato, uma verdadeira tragédia na parábola que Jesus nos conta hoje no Evangelho.
Os cultivadores da vinha (vinhateiros) além do fato de se apropriarem injustamente da colheita, tornam-se homicidas: espancam, apedrejam, matam, não somente os enviados do patrão, mas até mesmo seu filho. Aqui, já percebemos a ligação evidente com a morte de Jesus. O Filho de Deus tem muitas coisas em comum com os seus servos: também ele foi enviado, e será morto de modo violento. Mas a sua relação pessoal com Deus é completamente diferente. Só ele é o Filho de Deus; todos aqueles que foram enviados antes dele eram servos de Deus. Assim, depois que matam o Filho, Deus intervém.
Neste momento, Jesus passa da linguagem figurada da vinha para a construção de um edifício e já não se refere mais somente à sua morte, mas também à sua ressurreição. Os vinhateiros que matam o filho correspondem aos construtores que rejeitam a pedra. Deus agora opera de modo espetacular em favor da pedra rejeitada e lhe dá uma missão nova e fundamental. Através da morte e rejeição, os homens parecem ter acabado com ele. Porém, Deus é mais forte do que todos eles, e é ele a determinar o destino de seu Filho. Eles, por outro lado, se não se converterem, correm o perigo de destruir a si mesmos com o seu comportamento e de perder a posição privilegiada que Deus determinou pra eles no campo da salvação: “quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?”. O que Jesus diz é uma advertência final e muito séria. Ele mostra a seus interlocutores o que está em jogo nesta discussão. Se eles não escutarem, então acontecerá tudo o que está descrito: “o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.
De fato, o amor de Deus pelo seu povo supera qualquer maldade. Deus, que se inseriu na história, dá um sentido novo aos fatos humanos: recupera a pedra (Jesus), rejeitada pelos construtores e faz dela a pedra angular, isto é, a base da salvação para todos os povos. Agora fica claro: quem rejeita a Deus se auto-condena à improdutividade; só quem o aceita e permanece nele pode dar muitos frutos. Porque sem ele não podemos fazer nada. Deus quer firmemente o nosso bem, e, portanto, não cansa, não desanima, não renuncia aos frutos. Deus ficou sempre tentando e depois de cada rejeição, propondo a novos povos o mesmo Salvador, a fim de que, unidos a ele, dêem frutos de vida.
Jesus não fala de modo obscuro e não age com palavras ambíguas. Ele claramente mostra às autoridades judaicas quem ele é, qual o lugar dele no plano da salvação e qual é o peso do comportamento deles. Nisto, consiste todo o significado deste encontro. E isto se torna significativo também para nós. Também nós devemos saber claramente quem é a pessoa de Jesus Cristo e quais são as conseqüências para nós do nosso comportamento em relação a ele. Que o nosso comportamento seja como nos pede São Paulo: ocupando-nos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor. Assim, o Deus da paz estará conosco.

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