quinta-feira, 9 de outubro de 2008

NOSSA SENHORA APARECIDA - Jo 2,1-11


FAÇAMOS O QUE ELE NOS DISSER

O Evangelho deste domingo, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, nos convida à alegria. A uma alegria que brota de um vinho saboroso oferecido pelo noivo presente entre nós. Também nós, Igreja noiva de Cristo, somos a alegria de nosso Deus, "como a noiva é a alegria do noivo" (Is 62,5). Este Evangelho também nos permite meditar sobre a figura de Maria, o que, de fato, nos ajuda a compreendermos o sentido pleno do texto em questão.
Na relação entre Jesus e Maria, segundo os evangelhos, podemos distinguir 3 períodos: 1. a vida oculta; 2. a vida pública; 3. a "hora", ou seja, a paixão. No primeiro, Jesus se comporta como filho em todos os aspectos. No segundo período, Jesus age guiado unicamente pela vontade do Pai, sem condicionamentos nem interferências. Para o evangelista João, este segundo momento inicia exatamente em Caná da Galiléia, no momento em que Jesus diz a Maria: “Mulher, está na hora de parar de interferir nas minhas decisões”. Finalmente, no terceiro momento, aquele da "hora", aos pés da cruz, Maria aparece novamente. E, lembrando o Gênesis, Jesus a chama ainda uma vez de "mulher", como em Caná. Ela torna-se a nova Eva, recebendo a missão de ser mãe de cada discípulo.
O "vinho melhor" é fruto da "hora" de Jesus. O vinho é sinal de alegria e de festa, daquilo que serve não pra "sobreviver", mas para viver em plenitude. Agora, já podemos entender o sentido da estranha frase que o Filho dirige a Mãe: "o que tenho a ver contigo, ó Mulher?" ou "Mulher, por que dizes isto a mim?" "Minha hora ainda não chegou". Estamos entrando na fase na qual nós também fazemos parte. Jesus nos está dizendo que na sua "hora", junto ao vinho novo da Páscoa, Ele dará a nós, seus discípulos, Maria como mãe. E na resposta de Maria, vemos o seu êxodo, o seu caminho pessoal em direção a Páscoa, através da superação de seu papel de mãe no sentido humano para uma maternidade nova e mais ampla.
Conhecemos esta resposta: "Fazei o que ele vos disser". Isso ela responde aos que estavam servindo, mas diz, em primeiro lugar, a ela mesma: plenamente confiante na Palavra do Seu Filho, se dispõe a seguir o caminho que Ele indica: um caminho que, como aquele do Filho mesmo e de cada discípulo, requer a humildade que conduz à exaltação. Também desta vez a sua humildade é exaltada, Maria se abandona a vontade de Jesus, o qual cumpre o milagre do vinho como gesto que exprime antecipadamente o fruto da sua "hora": a festa da libertação plena, da vitória sobre a morte. Maria, imagem e modelo de cada discípulo, nos convida a fazer como ela e nos acompanha no nosso êxodo.
Também nós somos chamados a fazer-nos pequenos e nos colocarmos a serviço do próximo para nos tornarmos grandes, a perder a vida para salvá-la. E por isso, com alegria, acolhemos hoje o seu convite: qualquer que seja a situação em que nos encontremos na nossa vida, "façamos aquilo que Jesus nos disser".

Um comentário:

Anônimo disse...

pode, por favor explicar o que significa o que está escrito em: exodo 20,4-6

Adilson