sábado, 20 de setembro de 2008

XXV DOMINGO COMUM - Mt 20,1-16a


Pensamentos e caminhos diferentes
No Evangelho deste domingo, Jesus retoma as parábolas, para revelar com uma imagem viva e concreta, a partir de uma experiência de vida, a riqueza infinita do amor do Pai: Deus é Amor. É aqui que se concentra todo o significado daquele patrão que “saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha...”, sinal da solicitude de Deus, que não agüenta esperar que os filhos que estão afastados voltem (Lc 15), ele mesmo os procura, chama-os, e os envolve no seu projeto de vida: a salvação eterna, que é a comunhão feliz com ele. É este o trabalho que o Senhor oferece em troca de uma simbólica moeda de prata, que será dada, não com base às efetivas horas de trabalho, contadas a partir de um relógio, mas pela intensidade de fé com a qual, também a pessoa mais afastada se dirige a ele.
À primeira vista, a parábola parece ser desconcertante; de fato, segundo a nossa comum medida de justiça, seria impensável que a retribuição pelo trabalho seja idêntica, para quem tiver trabalhado uma hora ou poucas horas, e para quem tiver completado as suas oito horas, quem sabe, até algumas horas extras. Dar a cada um o seu, é o princípio mais elementar da justiça distributiva, que obviamente, Jesus não rejeita; porém, ele mostra que há uma justiça mais alta, com finalidades bem maiores daquelas exclusivamente temporais, e é a justiça que regula a nossa relação com o nosso Deus e Pai, e diz respeito ao fim último da existência humana, que não se acaba com a morte, mas caminha para a eternidade, onde não há limites, e não pode ser avaliada em termos econômicos, como uma moeda de prata ou dez mil talentos. A chave interpretativa da parábola é esta verdade, proclamada por Cristo, verdade que supera toda lógica puramente humana.
Há uma causa bem maior, pela qual o homem é chamado a colocar em jogo a sua vida, que é a causa da salvação, que vem de Deus, um dom de misericórdia, para ser acolhido com humildade e fé; para ser vivido com empenho, e que, na sua dinâmica mais profunda, foge ao nosso pensamento, porque é determinada pela lógica insondável do amor de Deus, que é Pai, e que não quer que ninguém se perca.
Deus é rico de misericórdia, como nos diz o profeta Isaías, já na I leitura; ele nos apresenta um Deus que por amor, revira toda lógica humana para realizar uma outra bem superior: “abandone o ímpio seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações, volte para o Senhor que terá piedade dele; volte para nosso Deus que é generoso no perdão. Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos e vossos caminhos não são como os meus caminhos. Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos quanto o céu está acima da terra”.
É nessa lógica que devemos interpretar a parábola. O patrão sai de casa para procurar trabalhadores, para envolvê-los no seu projeto, quantos não o conhecem, por causa diversas, ou porque são indiferentes. Ele sai em diferentes horas do dia, inclusive na última hora útil: lá pelas cinco da tarde. É a busca que Deus faz do homem, destinado a salvação, é uma busca apaixonada, freqüente, incansável. Um busca que terminou por enviar entre nós, Jesus Cristo, o nosso bom pastor que dá a vida pelo seu rebanho.
O tempo de Deus não é como o tempo do homem, porque a justiça de Deus é uma justiça que é unida ao amor: o amor que salva, e o cálculo de Deus está no amor. De fato, aquele trabalhador que reclamava dizendo ter sido injustiçado, recebe a seguinte resposta: “por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja porque estou sendo bom?”
Para ilustrar, lembremos do malfeitor que estava junto da cruz de Jesus e foi salvo por ele: um trabalhador de última hora. “Ainda hoje estarás comigo no paraíso”. O hoje de Deus é um hoje de fé e de amor que não segue os ponteiros do relógio, mas a intensidade do desejo, que nasce do coração que acolhe com humilde reconhecimento o dom da graça. Talvez não sejamos trabalhadores de última hora; mas, neste caso, o Evangelho nos chama a atenção para não nos distrairmos, o Senhor repetidamente nos chama a uma vida mais intensa de comunhão e de amor, a um testemunho mais coerente, claro e decisivo de Cristo.

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