sexta-feira, 5 de setembro de 2008

XXIII DOMINGO COMUM – Mt 18,15-20


Corrigir não é condenar, é amar
A Palavra de Deus deste domingo fala sobre a correção fraterna. Um tema muito importante, mas também muito difícil de ser abordado e vivido. Jesus vê a comunidade dos seus discípulos não como uma associação onde cada um pode fazer aquilo que quiser e que ninguém se interessa pelo que o outro faz. Mas, a partir do momento no qual somos batizados, fazemos parte de uma mesma comunidade e erramos, temos a necessidade de ser corrigidos por alguém e o dever de corrigir os outros também, já que todo comportamento positivo concorre positivamente para o bem da comunidade e todo comportamento errado incide negativamente na comunidade. Temos a responsabilidade de fazer o possível para que ninguém se perca, é o mandamento contido na parábola da ovelha perdida, anterior a este trecho evangélico. A partir dessa preocupação fraterna que é uma forma de amor ao próximo e que deve estar submissa à vontade de Deus, é que temos a obrigação de corrigir um irmão que errou e chamá-lo à conversão.
A primeira correção toca a nós mesmos. E, depois, cabe a quem tem responsabilidade direta e imediata sobre nós. Certamente, toda correção vem do Senhor; por isso, só é justo falar de correção fraterna num contexto de caminho de santidade que queremos partilhar com o próximo. Convém esclarecer logo de imediato que este caminho não consiste na lógica daquele farisaísmo mais acentuado, que através de uma capa, pretende mostrar-se perfeito, quando no privado, se pratica todo tipo de desvio e de imoralidade; pelo contrário, à forma externa correta do nosso agir deve corresponder uma conscientização do bem que devemos fazer sempre e do mal que devemos evitar sempre. E, se na nossa fragilidade humana, freqüentemente erramos, quem tem o dever moral de nos chamar a atenção deve fazê-lo com coragem, no respeito da nossa pessoa, na verdade, com informações verdadeiras, sem dar ouvidos a: fofocas, calúnias, suspeitas, prejulgamentos, enfim, a tudo o que possa ofender e prejudicar injustamente a nossa fama. Cada um de nós tem a chance de se corrigir, rever a própria vida e as próprias decisões. Só os obstinados, os orgulhosos, aqueles que pensam estar sempre com a razão, não sabem se corrigir, mesmo cometendo tantos erros, causando dano a eles mesmos e aos outros.
Mas, como deve ser feita esta correção fraterna? Normalmente, quando um irmão erra contra nós, o que a gente faz? A primeira reação que temos é a da vingança (como bem colocou a VEJA da semana passada). No Evangelho deste domingo, Jesus ensina um caminho diferente e apropriado para responder a este ato de provocação: a correção e a reconciliação. O cristão não pode dizer: “to nem aí pela desgraça dele”. Pelo contrário, somos obrigados a interessar-nos por um irmão que está desviado, pois o Pai que está nos céus não quer que ninguém se perca e temos responsabilidade nesta missão.
Mas, temos que entender bem, nenhum de nós deve ser juiz dos outros. Mas às vezes recebemos um ofício na Igreja, na sociedade, ou mesmo em casa, que nos requer capacidade de humana e fraterna correção. Um pai que diante de um filho que se comporta de modo errado não toma posição e até mesmo tolera o seu comportamento, ou pior, apóia tal comportamento, tem uma parte de responsabilidade diante de Deus pelos atos do filho.
A correção fraterna é certamente uma forma de caridade rara exatamente porque é muito difícil praticá-la. Requer-se antes de tudo um verdadeiro amor, sensibilidade, e delicadeza. A prudência nos deve ajudar a não cometer erros e para surtir os efeitos esperados. A primeira condição, porém, é a oração intensa e em nome de Jesus. Só com a graça divina conseguiremos alcançar o coração do nosso próximo e ganhá-lo para o bem e para o Senhor. A humilde invocação ao Espírito Santo em comunidade nos consente conseguir a luz necessária para formular a nossa correção do modo melhor possível sem ofender, mas só para salvar o irmão do seu mal, seja às vezes somente com o irmão para evitar o escândalo (1º forma), seja com a ajuda de outros irmãos para evitar a subjetividade (2ª forma), ou até mesmo com a ajuda da hierarquia da Igreja, quando nenhuma das duas anteriores resultou (3ª forma). Entretanto, é bom que fique claro que esta correção fraterna de que o Senhor fala e exorta que pratiquemos deve ser sempre um ato de caridade e de amor fraterno, nunca um mero gesto de autoridade e ainda menos, de condenação.

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