sexta-feira, 12 de setembro de 2008

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ - Jo 3,13-17


Cruz: loucura ou exaltação de amor?
A exaltação da cruz é uma solenidade que soa muito estranha para aqueles que não conhecem nossa fé cristã, porque questiona como nos seja possível exaltar um objeto que serviu para uma atrocidade tão grande contra o corpo do nosso Salvador? Os não cristãos sempre colocam a interrogação: por que exaltar a cruz, quando esta é um instrumento de sofrimento e de morte? Porque entre tantas coisas bonitas da nossa fé, falar da cruz se faz tão necessário?
No Antigo Testamento (I leitura), os israelitas estavam morrendo em grande quantidade porque uma praga de serpentes tinha caído sobre eles como resultado de seus pecados: “Pecamos, falando contra o Senhor”.
Diante disso, o que fez Moisés? Ele intercedeu a Deus. Para resolver este problema de morte, ele não se voltou para si mesmo nem para outro ser humano, mas para Deus. Quantas vezes a Bíblia nos mostra pessoas que enfrentaram e venceram suas adversidades com a oração confiante. Os israelitas erraram, viram a conseqüência do seu pecado, mas rezaram. E nós? O que fazemos? Como lidamos com os nossos pecados, com as nossas provações? Será que nos preocupamos com elas e queremos com as nossas próprias forças resolvê-las? Ou as entregamos com confiança a Deus?
Moisés implorou a Deus como poderia fazer para salvar o povo das serpentes venenosas. Ele não fez um plano próprio, mas ele pediu a Deus para abençoá-lo. Ele simplesmente rezou. E a esta sua ação Deus respondeu. Deus ordenou a Moisés que fizesse uma serpente de bronze, e a colocasse sobre uma haste. Toda pessoa que fosse mordida e olhasse para ela viveria.
O Evangelho (Novo Testamento) cumpre definitivamente este ato de amor do Senhor para com o seu povo através da cruz de Jesus que tira o pecado do mundo: “do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna”.
Os dois textos chamam a atenção para três pontos: a serpente de bronze livrava das serpentes que matavam – assim o Filho do homem libertará da morte; a serpente tinha sido levantada numa haste por Moisés – o Filho do Homem será elevado quando for pregado na cruz e glorificado; finalmente, para ser salvo e viver é necessário olhar para a serpente de bronze – dirigindo o olhar para o crucifixo com fé, o cristão terá a vida eterna.
Hoje, dois mil anos depois, a mensagem continua atual: “olhe e viva”. Olhe para Jesus e não para você, para o que você tem feito ou pode fazer, olhe para o que Jesus fez por você. A resposta para seu pecado, sua provação, seu problema, seja ele qual for é a confiança em Deus na oração.
A cruz de Cristo, portanto, foi necessária para nossa salvação, por isso, nos voltamos para ela com outros olhos. E, se foi necessária para Cristo, certamente é pra nós também. Se prestarmos um momento de atenção: todos carregamos uma cruz no nosso cotidiano. E aí está o grande significado da cruz para nós cristãos: nós sempre vemos nela Jesus crucificado, aquele que foi destinado a livrar-se da morte e mostrar os sinais da ressurreição; e, isto nos enche de confiança e esperança. No enfrentar as adversidades de cada dia e no sofrer as injustiças e maldades de todo tipo, é para nós grande consolação dirigir o olhar para aquele que foi ferido e a repensar o quanto ele sofreu em matéria de perseguição, para compreender que como ele também nós, tendo enfrentado também as nossas, somos destinados a receber a vida eterna no fim do nosso itinerário terreno. E não vamos nos iludir: quem rejeita a cruz ou procura fugir dela, quem sabe colocando-a nas costas de outros, sabe que mais cedo ou mais tarde deverá carregar uma de peso equivalente àquelas que não quis carregar anteriormente, isto porque a cruz é inevitável, mas é necessária. Em toda cruz há sempre um início de ressurreição destinado a se cumprir; e, mantendo o olhar fixo para este instrumento que nosso Senhor abraçou para nos salvar (“humilhou-se obediente até a morte, e morte de cruz”), nossa língua não se canse de proclamar: “Jesus Cristo é o Senhor” (II leitura).

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