sexta-feira, 1 de agosto de 2008

XVIII DOMINGO COMUM – Mt 14,13-21


Dividir para Multiplicar

A liturgia dominical depois de nos introduzir na compreensão do mistério do reino dos céus, escondido como um tesouro aos sábios deste mundo, mas revelado aos pequeninos através das parábolas narradas por Jesus e apresentadas por Mateus no capítulo 13 do seu escrito, nos conduz hoje a nos sentarmos com Jesus e os seus discípulos à mesa preparada para nós pelo Pai que quer nos alimentar com o pão do seu reino.
Na I leitura (Is 55,1-3), Deus prepara um banquete gratuito e aberto para todos nós. Ele ensina e mostra o segredo do saber viver bem: discernir entre aquilo que dá vida e satisfaz o desejo de vida e aquilo que pelo contrário, sob falsas aparências de vida e felicidade, conduz à morte. Israel sofre no exílio a fadiga de se alimentar do pão do inimigo que não sacia, além de recordar que isso está acontecendo graças à sua desobediência. Pois só o pão da terra da promessa, fruto e sinal de uma vida vivida na relação com Deus, na escuta livre e obediente da sua Palavra, consegue satisfazer a fome de vida de Israel. Quem escuta Deus, acolhe o seu convite e se põe a caminho para voltar à própria terra e ao próprio Deus.
A Palavra de Deus da I leitura mostra uma sabedoria de vida que revela quem tem fome de compreender: “ouvi-me com atenção e alimentai-vos bem, para deleite e revigoramento do vosso corpo”. E ao mesmo tempo provoca em nós uma pergunta: de qual pão nos estamos nutrindo? Será que estamos gastando dinheiro, tempo e energia por um pão que não sacia, esquecendo do pão da Palavra de Deus, que sacia gratuitamente a verdadeira fome que temos nós: fome de conhecer o rosto daquele que nos fala na sua Palavra e sede da sua presença para encontrar plenitude e sentido para a nossa vida.
A resposta ao convite de Deus vem do nosso coração que à luz da Palavra proclamada, descobre estar com sede e com fome de vida. Eis o que diz o salmista a Deus: “abris a vossa mão prodigamente e saciais todo ser vivo com fartura”. A nossa invocação deve ser plena de confiança, certos de ser ouvidos, pois o Senhor é paciente e misericordioso, Pai bom e providente para todos.
Mas é no texto evangélico de hoje que podemos finalmente saborear o pão que Deus nos oferece. O texto nos diz que Jesus apenas soube da morte de seu parente João Batista, se retirou num lugar deserto e afastado. O texto não diz nada sobre o que Jesus foi fazer neste local; talvez refletir sobre alguns fracassos de sua missão, como a rejeição por parte dos conterrâneos, a morte de seu profeta. O que nos impressiona é que diante de tudo isso, vendo as multidões que vinham ao seu encontro, ele não fica na retaguarda, desiludido ou desencorajado, mas responde com uma renovada abertura e atenção misericordiosa aos necessitados: “encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes”.
Muito importante na leitura é o diálogo entre Jesus e os discípulos. Ao entardecer, estes ficam inquietos porque as pessoas já começam a ter fome, e isto pode ser um problema. Então, fazem a seguinte proposta a Jesus: “despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida”. Jesus, porém, rejeita esta proposta lógica, quer revelar algo novo e faz uma contraproposta na qual envolve os discípulos nessa missão: “dai-lhes vós mesmos de comer”. Jesus quer manifestar a eles o seu poder, mas, sobretudo deseja que eles saciando-se do pão do reino, experimentem a sua lógica, que é a da superabundância de Deus. Para isso, Jesus convida os próprios discípulos a dar de comer e a colocar a disposição aquilo que tem. É pouco? É. Mas dividam e verão o milagre da multiplicação.
O sabor do reino é aquele da comunhão, da partilha, do cuidado de uns para com os outros. Jesus pega os pães, abençoa-os e divide-os com todos. E sobram doze cestos cheios. É o milagre que provêm da partilha: a abundância. É a lógica do evangelho. Deus em Jesus partilha a sua vida conosco, para que nós também possamos ser uma comunidade capaz de partilhar a mesma vida que recebemos dele e que ele sabe multiplicar para que todos sejam saciados.
Finalmente, é bom lembrar que estes textos sagrados que nos ensinam tão bem sobre a importância do pão da Palavra, lembram também o pão da Eucaristia. O banquete deve unir-nos a Jesus e a nós mesmos. Por isso, quem comunga o corpo do Senhor está em comunhão com toda a Igreja.

Nenhum comentário: