sábado, 16 de agosto de 2008

Assunção de Nossa Senhora - Lc 1,39-56


Na anunciação, o anjo informa a Maria a respeito da gravidez de Isabel, como uma garantia de que nada é impossível para Deus. Declarando-se serva do Senhor, Maria concebe Jesus, e como sinal do seu serviço, se dirige apressada para a casa de Zacarias, para encontrar sua parenta Isabel.
O Evangelho deste domingo (missa do dia) mostra o encontro das duas mães agradecidas pelo dom da fecundidade e da vida. O relato mostra também o encontro entre duas crianças, o precursor e o salvador. Jesus foi concebido por obra do Espírito Santo; João Batista exulta no ventre de Isabel que, cheia do Espírito Santo, proclama Maria bem-aventurada. O relato mostra, sobretudo, que a Santíssima Trindade se revela nos pobres e faz deles a sua morada permanente. O Pai tinha revelado a Maria o dom feito a Isabel, a excluída por causa de sua condição estéril; o Espírito revela a Isabel que Maria, a serva do Pai, tornara-se a “mãe do Senhor”. Assim, a Trindade entra na casa dos pobres humilhados que esperam a libertação.
A nossa oração mariana mais comum, a Ave Maria, na primeira parte é constituída exatamente pelas primeiras palavras do anjo a Maria. “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo”. A estas se seguem as primeiras palavras de Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”. O anjo chama Maria “cheia de graça”, Isabel a chama “bendita”. Ambas as expressões indicam antes de tudo qual é a relação de Deus com Maria. É desta relação que depende tudo aquilo que podemos afirmar sobre Maria.
As primeiras palavras de Isabel a Maria recordam os elogios feitos às mulheres libertadoras do Antigo Testamento; Jael: “que seja bendita entre as mulheres” (Jz 5,24); e Judite: “Ó filha, seja bendita pelo Deus altíssimo, mais que todas as mulheres da terra” (Jt 13,18). Também a segunda parte do versículo se inspira nas promessas de vida a Israel: “bendito o fruto do teu ventre” (Dt 28,4). João pula no ventre de Isabel e esta proclama Maria “bendita”, isto é, bem-aventurada. As bênçãos do Antigo Testamento são renovadas definitivamente em Maria.
Pedir a bênção é pedir a vida. Só Deus em definitiva pode dar a bênção. E em toda benção humana se pede a bênção de Deus, costume que também nós herdamos dos judeus. Na Bíblia, as pessoas abençoam (dão a benção) quando descobrem a presença de Deus que salva. Maria é motivo de bênção de maneira especial porque se tornou o lugar privilegiado no qual se experimenta Deus. Ela trouxe ao mundo o Senhor da vida por meio do qual foi vencida a morte e chegou até nós à vida eterna. Proclamando-a bendita, Isabel reconhece que Maria é cheia da bênção de Deus. O seu grande grito é um louvor (típico semítico) à ação de Deus, mas também é um grito de alegria por Maria.
Em relação à Maria, Isabel experimenta a sua própria condição indigna: “quem sou eu, para merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?”. Maria concebeu o Filho do Altíssimo, por isso, é a “mãe do Senhor”, a mãe de Deus. Na segunda parte da ave Maria, nós recitamos “Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores”. Também nós, como Isabel, reconhecemos ser pecadores e indignos diante da mãe do Salvador. Como ela, reconhecemos a diferença, e temos por Maria o apreço e a veneração que a ela compete.
Enfim, Isabel reconhece a bem-aventurança de Maria por causa de sua atitude: “bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. Maria acolheu com fé a Palavra do Senhor. Levou a sério tudo o que Deus lhe anunciou. Assim, a fé se torna a forma fundamental da sua relação com Deus. Isabel é apresentada como aquela que por primeiro venerou Maria. Com as suas palavras, ela nos delineia os traços essenciais da figura de Maria.
Maria, diante de tudo isso, no canto do Magnificat, fala com júbilo de Deus, daquilo que ele operou nela. Maria fica impressionada pela grandiosidade do Senhor e da sua obra poderosa. E ao mesmo tempo reconhece a sua pequenez. Ela sabe que é pequena e insignificante diante dele. Reconhece tudo isso com sinceridade e não se ensoberbece. No cântico, Maria reconhece que todas as gerações a chamarão bem-aventurada. Não por orgulho, mas porque o motivo de sua bem-aventurança é a obra de Deus nela. Assim, não há nenhum motivo pelo qual nós não possamos venerá-la. O todo-poderoso fez grandes coisas nela. E, como Isabel, nos enchemos de alegria. Com Maria, aprendemos a reconhecer que Deus é grande, poderoso e misericordioso, se dirige aos humildes e permanece absolutamente fiel a sua Palavra. Ele abate a soberba do homem.

Nenhum comentário: