quinta-feira, 3 de julho de 2008

XIV DOMINGO COMUM – Mt 11,25-30


Deus prefere os pequeninos
Como deve ter sido difícil pra Jesus anunciar o seu Reino entre os homens! Pois, tantos foram os que o rejeitaram e tentaram de todos os modos atrapalhar a sua missão. Estamos falando dos muitos fariseus, escribas e doutores da lei, pessoas de maior prestígio na sociedade de então, que bateram de frente com Jesus e sua mensagem.
Mas no Evangelho de hoje, Jesus toma uma posição diante dessa situação com afirmações interessantes e inesperadas. Primeiramente, ele se dirige ao Pai com uma oração de louvor e de alegria, onde aparecem fortemente unidas a sua relação com o Pai e com os pequeninos, convidando estes últimos a acolherem o seu anúncio. Finalmente, ele justifica seu ato cuja autoridade vem desta relação especial com Deus.
Com certeza, nas suas muitas viagens, Jesus se deparou com muitas criancinhas, capazes de escutar as suas palavras melhor do que qualquer adulto, por causa de sua simplicidade; e, capazes de adentrar no mistério do Reino dos Céus pela confiança que depositavam em Jesus sem hesitação. Mas Jesus nestes pequeninos aos quais foi do agrado do Pai revelar todas as coisas reconhece também todos aqueles que são pequenos não tanto pela pouca idade, mas pelas características da criança, principalmente aquela de não ser auto-suficiente e sim, dependente totalmente dos pais. A estes pequeninos, normalmente os descartados da sociedade, os fariseus impunham-lhes aquele legalismo que aumenta enormemente as aplicações práticas da lei mosaica, quase que delas e não de Deus depende a salvação.
Mas Jesus veio trazer naquele tempo como hoje também uma liberdade profunda e interior, de todo legalismo e da submissão temerosa às leis humanas. Os pequenos, mesmo não tendo grandes dotes de inteligência e não possuindo toda a erudição da doutrina que tinham os fariseus, os escribas e os doutores da lei, conseguem mais do que estes a colher a verdade, a reconhecer em Jesus o Filho de Deus, aquele que veio libertar os oprimidos, a dar a liberdade aos escravos, a curar os contritos de coração, a anunciar um reino de paz e de justiça.
Assim, quando Jesus diz que o Pai escondeu estas coisas aos sábios e entendidos, não devemos pensar que a mensagem de Jesus seja acolhida pelas pessoas infantis, imaturas e ignorantes. A questão é que as pessoas que se acham “donas da verdade” e que estão sempre certas, a elas Jesus não pode dizer nada já que elas “não precisam de nada”, são auto-suficientes. Nós podemos e devemos empenhar o máximo possível a nossa inteligência e todas as nossas forças em tudo aquilo que fizermos, mas isso não deve fazer com que nos consideremos os sabichões, pois todos nós temos os nossos limites. Sempre aparecerão perguntas às quais não saberemos responder e situações difíceis que não poderemos resolver.
Os pequeninos são os pobres em espírito, sabem que dependem de Deus, o reconhecem como Senhor e se alegram porque podem confiar no seu amor e na sua guia paterna. A pequenez interior, portanto, que consiste na humildade e na mansidão, é a condição necessária e ideal para saber reconhecer o Senhor como caminho, verdade e vida e segui-lo.
Se formos viver segundo a carne (II leitura), pensando que o cumprimento alienável de regras nos torna santos, estamos enganados. Isto apenas causará muito cansaço e fadiga. O povo vivia cansado e abatido por causa dos fardos pesados impostos pelos fariseus. Eis porque Jesus que tem o coração manso e humilde nos chama, oferecendo restauração e um jugo doce e suave não porque seja menos exigente, mas porque é ele a tornar suave o peso com a sua solidariedade. Ele é o primeiro dos pobres, dos simples, dos pequenos, dos mansos. Ele carregou o peso da cruz e isto é o que torna suportável e leve a cruz de quem o segue.
Ainda existe muita escravidão ao “jugo farisaico” no mundo de hoje, pelo qual ao invés de levar a Deus, fomenta o fascínio pagão do aparecer, do ter, do poder. É uma das escravidões mais profundas e alienadoras que tira a liberdade não só exterior, mas também interior, que é o dom mais precioso dado pelo Pai a nós. É uma lógica que impede às pessoas tornarem-se adultas, maduras, e responsáveis, pessoas que tenham plena dignidade na Igreja e saibam testemunhar no mundo com liberdade e coragem a própria fé. Só no abandono ilimitado a Deus, encontraremos tranqüilidade e liberdade interior.

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