sexta-feira, 13 de junho de 2008

XI DOMINGO COMUM - Mt 9,36-10,8


Como ovelhas sem pastor
No Evangelho deste domingo, vemos como Jesus se compadecia pelas pessoas. Mateus quer nos ajudar a colher o profundo do coração misericordioso de Jesus pelas multidões: “vendo as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas como ovelhas que não têm pastor”. Assim, o tema principal do Evangelho de hoje e que move todo o texto restante é este: a grande misericórdia de Jesus pelas pessoas sofridas.
Mateus nos diz que Jesus sentiu compaixão. Para dizer isto em grego, a língua em que foi escrito o evangelho, o autor usa um verbo que traduzindo ao pé da letra, diríamos que Jesus sentiu suas entranhas tremerem. De fato, Jesus nunca passa ao lado da dor humana sem sentir intimamente o seu sofrimento e sem levar-lhes um remédio. As multidões estavam cansadas e enfraquecidas, e a comoção de Jesus quando as viu foi tão grande que sentiu seu interior tremer. É aqui que aparece o rosto materno de Deus. Esta linguagem usada para descrever o sentimento de Jesus é a mesma que caracteriza a comoção total que uma mãe sente no momento do parto.
Mas a que coisa Mateus se refere quando chama as ovelhas de cansadas e abatidas? Como que não têm pastor? Qual era a condição na qual se encontravam aquelas pessoas por quem Jesus teve compaixão? Sabemos por várias passagens que Jesus encontrou durante o seu ministério muitas pessoas que se achavam numa situação de total desprezo, abandono e opressão. Pessoas que caminhavam como um rebanho sem rumo e sem um pastor para cuidar delas e protegê-las. Jesus estava ali diante de pessoas sobrecarregadas de culpa, e sem esperança alguma. Mas por que aquela multidão se encontrava naquela situação? Sabemos que na época de Jesus, havia muitos líderes religiosos que tinham a missão de pastorear as ovelhas de Israel, inclusive as perdidas.
O problema está exatamente aí. Estes que deveriam pastorear suas ovelhas eram os que as excluíam e as deixavam sentindo-se pesadas e abandonadas por Deus quase sempre por causa de sua condição de pecado. Houve muito descaso por parte dos pastores de Israel. Eles não iam atrás das ovelhas perdidas como Jesus ordenara na parábola da ovelha perdida. As ovelhas fracas ficavam cada vez mais fracas pela falta do alimento da Palavra de Deus. E as ignorantes cada vez mais ignorantes. Quando havia pastoreio, era com muito rigor e dureza, por isso, Jesus repreende tanto aqueles sacerdotes judaicos.
Pois é, a condição da multidão comoveu profundamente Jesus. E dessa compaixão, Jesus sempre agia em favor do seu povo. Ser misericordioso é sentir compaixão por alguém e fazer algo por ele. Jesus curava os doentes, ressuscitava os mortos, purificava os leprosos e expulsava os demônios. Ele também pede que seus operários façam o mesmo.
A misericórdia de Jesus estava presente na sua pregação, chamando os pecadores à fé e ao arrependimento. Mais, o seu ensino não era frio, nem acusava ninguém como faziam os líderes religiosos da época. Ele buscava tocar o coração do povo. Enquanto os sacerdotes judaicos sobrecarregavam o povo com seus ensinos cheios de regras, Jesus oferecia alívio e descanso aos pecadores (Mt 11,28-30).
Num primeiro momento, Jesus envia os doze apóstolos às ovelhas perdidas da casa de Israel. Mas ele sabendo que a messe é grande, incluindo o trabalho que tem de ser feito no mundo inteiro, ele constata que os operários são poucos e por isso, ordena que como Igreja, devemos pedir ao Senhor da messe que chame mais operários para a sua messe. Devemos rezar também pelos trabalhadores já em atividade para que sigam o exemplo de coração misericórdia dado por Jesus Cristo.
Hoje, segundo estimativas, 80% da humanidade ainda não ouviu falar do Evangelho. Por isso, é tão urgente reacender a consciência missionária. Que o amor misericordioso de Jesus chegue a cada um de nós e nos motive a ser também misericordiosos para com os fracos na fé e desanimados que estão ao nosso redor.

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