sábado, 17 de maio de 2008

DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE - Jo 3,16-18


DEUS AMOU TANTO O MUNDO...

O evangelho deste domingo começa com uma confidência de Jesus a um homem chamado Nicodemos: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna”.
Mas quem é Nicodemos? É um mestre da Lei, um profundo conhecedor das Escrituras, que quer conhecer melhor Jesus e o que ele ensina. Ele vai encontrar Jesus à noite para que nenhum dos escribas ou fariseus o descubram, já que ele não quer que ninguém saiba, mas também não quer perder a ocasião de falar com Jesus.
Jesus explica-lhe algo muito importante, ele diz por que veio ao mundo. Isto talvez fosse a coisa mais difícil pra Nicodemos entender e ainda hoje quantos não entendem isso?
De fato, visto que Jesus é Deus, amado pelo Pai com a força do amor infinito do Espírito Santo, que necessidade tinha de vir ao mundo e fazer-se um como nós? Por que Jesus quis estar entre nós?
É uma pergunta difícil e também Nicodemos, que é ancião e sábio, se encontra confuso diante de tudo isso. A ele, como a nós, Jesus explica o único motivo que o levou a fazer-se homem: “Deus amou tanto o mundo...”
São palavras tão simples de entender, e são elas que respondem a questão acima levantada, pois foi deste amor de Deus tão grande, tão imenso, que ele criou o mundo.
Deus nos criou para que participemos da alegria do seu amor: de fato, ninguém pode amar se estiver sozinho, temos necessidade de ter ao nosso redor outras pessoas, porque o amor só existe estando junto. Mas infelizmente muitos não compreenderam o desejo de amor que Deus teve desde a criação, e se foram cada um por conta própria, vivendo como se Deus não existisse (idéia muito difundida hoje em dia).
Então, o Pai decidiu mandar sinais, mandou profetas a fim de chegar ao coração das pessoas que estavam se afastando dele. E visto que muitos não se davam conta de todo este amor oferecido, o Pai, o Filho, e o Espírito Santo decidiram que tinham que nos visitar pessoalmente: para que nós experimentássemos todo o amor que Deus tem a nos doar, o Pai decidiu mandar o Filho como sinal de salvação.
Quando amamos, quando queremos bem verdadeiramente a alguém, do profundo do nosso coração, parece que nunca fazemos o bastante por essa pessoa: são presentes, bilhetes, telefonemas, surpresas, palavras... muitas maneiras que o coração encontra para transmitir o amor.
Também Deus nunca se cansa de encontrar modos para fazer-nos sentir quanto é grande o seu amor por nós. Mas de todas as idéias que o Pai teve, a mais bela foi certamente aquela de fazer com que Jesus, seu Filho, viesse sobre a terra, como um homem entre os homens. Não somente o Senhor Deus quis estar em meio aos homens, mas com a sua morte e a sua Ressurreição escancarou as portas de um outro dom inacreditável e maravilhoso: a vida eterna.
E o que quer dizer a vida eterna? É uma vida que dura para sempre. Deus sempre soube que o maior medo das pessoas é o da morte. Pois bem, não existe outra saída para a morte senão Cristo, ele é a única possibilidade de nos livrarmos da morte eterna, porque estar unido a ele significa vida: “para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna”.
Quem confia neste amor sem medidas que Deus nos oferece, não deve temer a morte, porque sabe que o que o espera é uma vida sem fim. Deus nos ama muito. Não poupa seu filho, mas consente que sofra para nos salvar. Mas também vale lembrar: Deus não quer nos salvar à força, sem o nosso consentimento. Somente se acreditarmos que Cristo é o único Senhor da nossa vida, o poder deste amor pode nos alcançar eficazmente.
O cristão que vive o amor e a comunhão com o próximo, participa da vida trinitária e é reflexo dela na vida cotidiana. A comunidade cristã capaz de acolher, de amar reciprocamente, de partilhar, é um sinal no mundo da mesma comunhão intra-trinitária entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Como diz Santo Agostinho: “quem vê a caridade, vê a Trindade”. A trindade se torna, portanto, um fato concreto quando se vive a concórdia, a paz, o amor e a aceitação recíproca na nossa família, como também na nossa comunidade.


Nota: quanto à pergunta feita acerca do perdão pelo comentário da semana passada, primeiramente, convido o leitor a ver o seguinte comentário que escrevi o ano passado: http://pecarlos.blogspot.com/2007/02/desarme-o-inimigo.html

Enfim, Jesus veio ao mundo justamente pra dizer que apesar de difícil, perdoar é possível. O Evangelho de hoje nos diz de onde sai a razão desse perdão: amor. Deus nos ama tanto, que apesar de nossos pecados, ele nos perdoa sempre. Aceitar o perdão de Deus nos torna capazes de perdoar o próximo, de deixar pra lá o que ele nos tem feito, dar uma nova chance, tratá-lo com amor.

Um comentário:

educpaulofreire disse...

Parabéns pela reflexão!!!
Uma passagem pequena e simples, mas de um significado profundo e muito importante. Obrigado pelo texto!