terça-feira, 4 de março de 2008

5º DOMINGO DA QUARESMA - Jo 11,1-45


O pranto de Jesus!
Diz o texto-base da Campanha da Fraternidade 2008, n. 40: “os ainda não-nascidos, os doentes, os idosos, os miseráveis, os famintos, os analfabetos, os marginalizados e os excluídos em geral perdem seu valor intrínseco. Constrói-se uma cultura de morte e exclusão, que se amplia e vai atingindo a todos os desfavorecidos, pois todos eles parecem cada vez mais descartáveis na sociedade. Por fim, mesmo as relações mais íntimas vão se contaminando por essa cultura de morte”.
Cultura de morte! É a cultura que vem se alastrando espantosamente no nosso mundo atual. Tudo gira em torno do interesse e do lucro, inclusive quando a interrupção da vida humana proporciona isso. Queremos manipular a vida das outras pessoas em benefício nosso. Isto porque descobrindo entre tantos, a cadeia do DNA, a clonagem, a fecundação “in vitro”, e ultimamente, a criação de um embrião com um pai e duas mães (VEJA, 13 de fevereiro de 2008), nos achamos no direito de decidir interromper a vida de um não-nascido (aborto) ou de proporcionar uma “morte sem sofrimento” (eutanásia) a um doente incurável. E mesmo com todo este “progresso”, a morte espanta e faz sofrer. Quando ela surpreende improvisamente nossos entes queridos, ficamos tristes, e refletimos sobre a vida. É isto mesmo o que a cultura de morte faz. Faz esquecer o significado que a vida tem. Perdemos o sentido da vida, por isso, cada vez mais abortos, suicídios, eutanásia.
No Evangelho de hoje, Jesus promove uma cultura diferente. O episódio da morte e ressurreição de Lázaro, o irmão de Marta e Maria, amigos queridíssimos de Jesus, é único no seu gênero. Logo no início do texto, Jesus esclarece como no relato do cego de nascença, que a doença de Lázaro não leva à morte, mas ela serve para que o Filho de Deus seja glorificado através dela. Que a morte seja um dos acontecimentos mais temidos da vida, o próprio Jesus nos confirma: ele ficou profundamente comovido, estremeceu interiormente e caiu num pranto de choro. Mesmo consciente de poder vencer a morte e ressuscitar (reanimar) Lázaro, ele chora a morte do amigo.
Marta indo ao encontro de Jesus, diz: “Senhor, se você estivesse aqui, meu irmão não teria morrido”. Marta acreditava na ressurreição dos mortos no último dia e sabia que Jesus curava os enfermos, mas que ele não chegou a tempo de curá-lo.
Mas a pergunta que Jesus fez a Marta, ele a faz a cada um de nós: “eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. Você acredita nisso?”. Marta dá uma resposta que, à primeira vista, parece fora de contexto. Em vez de responder simplesmente com um sim, ela acrescenta que acredita firmemente que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. Em outras palavras, ela nos ensina que basta acreditar nele e pronto. É a fé em Jesus que nos salva.
O que Jesus faz com Lázaro é um sinal. Ele o chama: “Lázaro, vem para fora!”. E Lázaro volta a viver. Através desta ação, ele quer mostrar que a morte não é um limite para ele, mas que ele tem poder até sobre ela. Porém, o que ele quer nos oferecer não é uma vida terrena que se prolongue para sempre, até porque Lázaro morreu de novo (daí que podemos chamar a ressurreição de Lázaro de reanimação para diferenciar da ressurreição do último dia), mas a vida eterna em comunhão com Deus.
Outro particular deste relato é que Jesus antes de chamar Lázaro à vida agradece ao Pai por tê-lo escutado. Isso mostra que o ponto central da fé é a relação de confiança que Jesus tem com o Pai. O que se torna um exemplo para nós, que às vezes pedimos tanto e nada agradecemos.
Se acreditarmos em Jesus, não temeremos a morte, pois ele é sinônimo de vida. Cristo é a ressurreição porque é a vida. Ele constitui o critério e o ponto de referência para o nosso dia a dia, oferecendo resposta aos nossos problemas e nos predispondo para a dor e para a possibilidade da morte. Vida eterna quer dizer vida infinita e esta certeza de fé nos encoraja a defender o dom da nossa própria vida e também a do outro, mesmo nas circunstâncias nas quais ela parece perder o próprio sentido, tipo quando há o sentido de vazio e a ausência de dignidade. O Deus da vida quer que vivamos a vida plenamente.

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