segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

4º DOMINGO COMUM - Mt 5,1-12


Você quer ser feliz?
O grande anseio do ser humano é ser feliz. Passamos a vida inteira em busca da felicidade. Alguns se esforçam para conseguir uma receita mágica para a felicidade. São muitos os livros lançados com este tema, como “dez leis para ser feliz”, “o segredo da felicidade”, “em busca da felicidade” etc. As pessoas acham que o fundamento da felicidade está nas riquezas materiais, num carro importado, numa casa confortável, numa carreira de sucesso, numa pessoa, num diploma. Se matam pra conseguir isso, e depois de tanto lutarem, acabam estagnadas sem terem mais o que alcançar e percebendo que não estão tão felizes como pensavam ser.
Até mesmo Jesus Cristo refletiu sobre a pergunta: é possível ser feliz? de que maneira? e a sua resposta foi clara: sim! mas com esforço. Também ele apresentou suas “leis” para ser feliz. E ele não somente promulgou estas bem-aventuranças, mas as cumpriu também. As bem-aventuranças nos dizem quem é Jesus, como é o seu caráter, seu comportamento, suas escolhas.
A alegria das bem-aventuranças encontra o seu fundamento na certeza de um futuro feliz, na comunhão com Deus e é um dom de Deus, e já agora é possível saborear um novo modo de viver.
O Evangelho de hoje nos convida a colocarmos o fundamento da nossa própria felicidade no amor de Deus, cujas promessas são inquebrantáveis e vitoriosas, mesmo nas situações de crise na qual o homem pode se encontrar. O Evangelho nos apresenta um itinerário de santidade humana que abraça todas as etapas da nossa vida, abarcando cada situação e considerando os desafios que a cada dia estamos sujeitos: Deus não quer que fiquemos passivos, há um caminho a seguir. As bem-aventuranças indicam que caminho é este, mostrando o caráter do cristão enquanto herdeiro do Reino de Deus, da felicidade plena, da alegria perfeita.
Ser pobre em espírito é ser humilde. É quando reconhecemos nossa necessidade, nossa insuficiência e nossa dependência, nossos limites, e, nos dirigimos a Deus na oração com confiança. Para tal, é necessário arrancar de nós toda soberba, orgulho, presunção, egoísmo, auto-suficiência, superioridade, intolerância. Esta bem-aventurança não diz respeito só aos que são pobres materialmente: um milionário pode reconhecer e confessar que a riqueza material não é tudo para ele e que ele depende de Deus; enquanto, um pobre materialmente pode ser cheio de inveja e esperar tudo da riqueza terrena.
A segunda bem-aventurança parece contraditória, pois o pranto é o contrário de alegria. Os motivos podem ser vários: a morte, a doença, as desgraças, o pecado e a fraqueza, as mudanças drásticas da vida. O aflito é aquele que sofre por sua situação ou pela dor alheia, movido pela compaixão. O pecado contrário é quando somos indiferentes e almejamos uma “vida boa”, cheia de prazeres, confortos, tranqüilidades; é o pecado da indiferença com o próximo, da dureza de coração.
Jesus era manso. Ele chama felizes os mansos, que deixemos toda grosseria, desrespeito, desamor, agressões. A santidade deve mostrar-se no modo como tratamos as pessoas. É preciso trabalhar o autocontrole, aceitar o próximo, não querer dominá-lo, controlá-lo, humilhá-lo nem impor-lhe nossas idéias.
Fome e sede são uma necessidade natural, fundamental para vivermos. Felizes são os que tem fome e sede de justiça: ser justo significa ser reto, honesto, correto com relação ao próximo, a Deus e às coisas materiais.
Ser feliz significa ser misericordioso. Significa não ficar indiferente perante o sofrimento alheio nem mostrar um coração duro perante as ofensas que nos foram causadas. Sentir a miséria do outro e perdoá-lo. Só perdoando, seremos perdoados.
O que busca a santidade busca a pureza. Humanamente falando, nos damos conta que é impossível ser totalmente puro, mas o sangue de Jesus nos lava de todo o pecado.
O caminho da santidade é uma busca constante de paz. Deus é um Deus da paz. Ele quer que nós também sejamos pessoas de paz. Temos que aprender a lidar com o pecado da maledicência, da intriga, da vingança, da provocação. Somos felizes quando não só fizermos as pazes com os outros, mas também quando formos instrumentos de paz entre duas pessoas ou grupos etc.
Ser bem-aventurado implica ser perseguido ou até morrer por causa de Jesus Cristo. Talvez seja esta uma questão das mais difíceis da santidade: conviver com isto enquanto se segue a Jesus. Talvez alguém possa se enganar pensando que quanto mais próximos a Deus estivermos, mais amados seremos por todos. Errado! Pois, seremos cada vez mais invejados, contrariados, insultados e perseguidos. O diabo fica desconcertado com os que, sinceramente, buscam seguir Cristo. O próprio Jesus Cristo foi odiado e crucificado.Enfim, o caminho indicado por Jesus para nossa felicidade parece ser uma restrição, uma limitação da liberdade humana. Mas, Jesus não veio prender, veio libertar. Na verdade, as bem-aventuranças são um caminho para a liberdade, para a salvação, para a felicidade.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

3º DOMINGO COMUM - Mt 4,12-23


PESCADORES NUM MAR POLUÍDO

Desde as primeiras aparições públicas, Jesus se apresenta como um missionário itinerante: ensina, prega a boa notícia do Reino, cura os doentes, chama os discípulos. Começa a sua missão, porém, não em lugares importantes nem religiosos como Jerusalém, mas em zonas de periferia, pobres, entre os afastados, os menos religiosos, os quase pagãos, os impuros, como eram considerados os habitantes da Galiléia.
Jesus deixa Nazaré e vai viver em Cafarnaum, povoado de fronteira, com uma alfândega para as mercadorias em trânsito ao redor do caminho do mar, a estrada imperial que unia Egito, Palestina, Síria e Mesopotâmia. Desde a antiguidade, portanto, a Galiléia era uma zona de cruzamento de povos, submetida à passagem de tropas e ao controle dos negócios, com as conseqüentes contaminações e recaídas morais. Com isto, entende-se o apelo que o profeta Isaías dirige aos habitantes da região (I leitura): passar da experiência humilhante da escravidão e do jugo da opressão para a vida com liberdade, com uma grande luz e alegria.
Mateus percebe que a profecia de Isaías se cumpriu com a presença de Jesus, cuja missão tem um início carregado de esperança, porém, sobre a base de um exigente programa de conversão a Deus e de empenho pelo seu Reino.
Com esta escolha inicial, Jesus mostra que os primeiros destinatários do seu Evangelho e do Reino não são os justos, os observantes da lei ou aqueles que se acham os tais, mas os afastados, os excluídos, os pecadores. Este é o início humilde de uma missão que terá horizontes universais, e que será levada adiante pelos discípulos e pelos seus sucessores, chamados a seguir Jesus para serem, em qualquer parte do mundo, “pescadores de homens”.
A vocação missionária inclui sempre um êxodo, uma partida, uma saída, freqüentemente também geográfica, deixar alguém ou algo; há sempre um desapego, uma renúncia, um sair do próprio egoísmo. Aqui Jesus deixa Nazaré e a convivência com os pais e parentes. Como Abraão foi convidado a sair da sua terra e da sua parentela, assim também acontece com dois irmãos (Simão Pedro e André), chamados por Jesus a segui-lo, deixando as redes, barca e pai. De tal modo que a vocação não é nunca uma partida para o vazio: é um deixar algo para seguir alguém, uma partida ao encontro de um outro. É em primeiro lugar desapegar-se para apegar-se à pessoa de Jesus.
Esta vocação-missão encontra suas raízes numa conversão, uma mudança de mentalidade, uma orientação nova para Deus e o seu Reino, do qual Jesus Cristo é a plenitude. A conversão a Cristo inclui o seguimento e a missão, o estar bem enraizado nele e ao mesmo tempo inserido no mundo: “farei de vós pescadores de homens”. Assim, aconteceu com Paulo (II leitura), do qual celebramos sua conversão dia 25 deste mês. Uma conversão total e fiel até o martírio. Não foi um simples convertido cristão, mas o maior missionário entre os pagãos, o enamorado pregador de Cristo crucificado e ressuscitado. Tomar consciência da vastidão e urgência dos problemas do mundo ajuda a sair dos egoísmos, divisões e tensões locais. Como diz Teresa d’Ávila: “o mundo está queimando, não há tempo para tratar com Deus coisas de pouca importância... quando vejo as grandes necessidades da Igreja, estas me afligem tanto que me parece uma piada se preocupar com outras coisas”.
“A missão evangelizadora da Igreja é a resposta ao brado "Vinde, Senhor Jesus!", que percorre toda a história da salvação e que continua a elevar-se dos lábios dos crentes. "o acolhimento da Boa Nova na fé, em si estimula" a comunicar a salvação recebida como dom... Nada é mais belo, urgente e importante que voltar a dar gratuitamente aos homens o que recebemos gratuitamente de Deus! Nada nos pode eximir ou livrar deste gravoso e fascinante compromisso. Cada cristão e comunidade sintam a alegria de partilhar com os outros a Boa Nova de que "Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu Filho único... para que o mundo seja salvo por Ele" (Jo 3, 16-17). Bento XVI – Angelus de 23 de dezembro de 2007.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

2º DOMINGO COMUM - Jo 1,29-34


A ESPECIALIDADE DE DEUS: LEVAR A CULPA EM NOSSO LUGAR
No Evangelho deste domingo, encontramos uma profissão de fé em Jesus Cristo que se articula em três afirmações: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”; “eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele”; “eu vi e dou testemunho, este é o Filho de Deus”. Obviamente, a afirmação de maior peso é a primeira, tanto que a cada missa a repetimos três vezes no “cordeiro” e ouvimos uma antes da comunhão.
Há exegetas que vêem nesta imagem o cordeiro pascal do qual se fala no livro do êxodo (12,1-28), onde o sangue do cordeiro livrava o povo da morte e a sua carne era consumida na partida para o êxodo. Há outros que vêem uma referência à oferta cotidiana de um cordeiro no templo (Ex 29,38-46). E há ainda quem veja no Cordeiro de Deus o Servo de Deus que toma sobre si (tirando) o pecado do povo. O verbo que João usa para passar esta idéia, ao mesmo tempo significa levar, tomar sobre os próprios ombros, carregar, e com isso, tira o peso dos ombros de alguém. Ambos significados estão presentes nesta última comparação com Is 53: a inocência do Servo e a sua solidariedade com os pecadores. Os dois motivos estão presentes no gesto de Jesus que vem para ser batizado, como vimos na semana passada: ele não se afasta do povo pecador, mas se confunde com ele, mesmo na consciência da própria inocência e da própria origem divina, ele começa com o batismo a levar o peso da cruz. Assim, a encarnação toma todo o seu sentido: entendida não somente como um fazer-se homem, mas como plena solidariedade com a humanidade e a sua história.
A proclamação de João: “eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” tem como fundo o quarto cântico do Servo do Senhor. A primeira leitura, porém, é um outro texto, isto é, o segundo cântico do Servo do Senhor (49,3-6). Também aí nós encontramos alguns traços que precisam a rosto de Jesus e da sua missão. O Servo toma a palavra para ilustrar a própria eleição, a sua função de pregador e as dificuldades que encontra na sua atividade. A sua missão é reunir Israel e ser mediador de salvação para todos os homens. Aparecem muitos temas aí, como a gratuita eleição da parte de Deus, amado desde o seio materno; uma missão de anúncio e libertação com dimensão universal. O Servo é humilhado com o seu povo (escravo de tiranos, em exílio), mas será glorificado em meio ao seu povo frente a todas as nações.
Como Servo do Senhor, Jesus tira a nossa culpa e a carrega. O que caracteriza Deus é a sua misericórdia, que se manifesta no levar e tirar a culpa. Enquanto Cordeiro de Deus que é Filho de Deus, Jesus age como Deus e tira a culpa do mundo: assim, nele se manifesta a misericórdia de Deus. Toma sobre si a culpa de todas as pessoas e oferece a própria vida por elas.
Aquele que vem humilde e indefeso como um cordeiro e oferece ao mundo este inestimável serviço de libertá-lo do pecado, é realmente o salvador do mundo e, ao mesmo tempo, possui uma dignidade incomparável. João já havia declarado que não era digno nem de carregar suas sandálias.
João dá testemunho de Jesus e ao mesmo tempo, mostra em qual modo é legitimado como testemunha. Sublinha duas vezes que não conhecia Jesus por conta própria nem por idéia própria. Mas, com a ajuda do Espírito Santo, reconhece Jesus. Assim, João dá testemunho de Jesus não somente baseado naquilo que viu, mas também por causa da revelação do Espírito Santo que este experimentou. E João testemunha fiel, leva os seus discípulos a Jesus a fim de que eles que somos nós demos testemunho de Jesus Cristo. Batizados no Espírito Santo, somos convidados a testemunhar ao mundo Jesus Cristo que nos livra e carrega toda a nossa culpa, permitindo-nos viver em plenitude.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

BATISMO DO SENHOR - Mt 3,13-17


Batismo: vida nova

O Batismo de Jesus nas águas do Jordão é uma das três epifanias ou manifestações mais significativas que a liturgia da Igreja celebra. É a partir do batismo no Jordão que começa a verdadeira vida pública de Jesus, sua obra de redenção e salvação.
Às margens do rio Jordão, encontramos João Batista que realiza um batismo com água para a remissão dos pecados. Era uma tentativa de começar uma vida nova. De fato, o proceder do batismo simbolizava isso. O ato de mergulhar simboliza a morte provocada pelo dilúvio exterminador. Mas também a água e principalmente, aquela corrente, é símbolo da vida. Foi através das águas que os israelitas passaram da escravidão para a vida em liberdade. O rio Jordão, por exemplo, é fonte de vida para o povo de Israel até hoje. A água purifica, limpa a sujeira do passado, faz recomeçar, renascer.
O batismo instituído por Jesus realiza-se com o concurso da Trindade: em nome do Pai (voz), do Filho (Jesus) e do Espírito Santo (pomba), restabelecendo a uma vida nova depois de ter libertado definitivamente dos pecados, fazendo renascer pela água e pelo Espírito Santo. É o batismo com o qual obtemos a vida eterna e nos incorporamos como ramos à videira Cristo.
Eram muitos os pecadores que vinham até João para se batizarem. E no meio destes vem Jesus. Aí temos algo verdadeiramente novo. João esperava evidentemente que Jesus, quando chegasse, pedisse para parar aquele seu rito agora não mais necessário; porém, fica bastante encucado quando vê que Jesus que não tinha pecado algum pede pra ser batizado; por isso, ele protesta: “eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” Realmente, como Jesus podia confessar seus pecados e querer uma vida nova?
A resposta de Jesus: “por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!”, por vários séculos exegetas e estudiosos quebraram a cabeça para decifrarem; pois, Jesus, enquanto Deus, vindo ao mundo nos salvar não tinha necessidade alguma de ser batizado e teria o direito de batizar ele mesmo quer a João quer as outras pessoas; porém, se coloca no meio das pessoas que necessitam de conversão para que se cumpra “toda a justiça” (cumprimento da vontade de Deus).
Jesus cumpre a vontade do Pai em tudo e isto implica que ele experimente todas as prerrogativas do ser humano fraco, partilhando todo tipo de sentimentos e misérias. É da vontade de Deus que Jesus se faça solidário com os pecadores. A exegese sempre considerou neste ato de humildade da parte do Senhor um anúncio da salvação operada com a morte de cruz e a ressurreição: no confiar a própria cabeça à água batismal de João, Jesus se humilha, se apaga, se confunde com os pecadores (morte de cruz) para depois ser elevado pelo Pai que o exalta como o “meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (ressurreição). Se na morte de cruz, ele leva sobre seus ombros todos os pecados da humanidade, no batismo ele começa a experimentar o peso.
Batizando-se, Jesus nos mostra a importância do seu fazer-se homem entre os homens, colocando-se ao lado do fraco. Ele partilha conosco o estado de miséria que o pecado produz, experimenta os sentimentos de abandono e desprezo que causa a passagem do pecado à conversão.
Contemplando o abaixamento de Jesus, somos convidados a “morrer para nós mesmos”, a renunciar o nosso orgulho para aderir unicamente a ele e este deve ser o propósito do Sacramento do batismo: “seguir o convite para o batismo significa então entrar no lugar do batismo de Jesus e, assim, na sua identificação conosco, receber a nossa identificação com ele” (Bento XVI em Jesus de Nazaré).
No batismo de Jesus se manifestam os traços de toda a sua atividade. Ele não veio para os justos, mas para os pecadores. E faz isso em obediência à vontade de seu Pai e como Filho predileto, que vive em perfeita comunhão com o Pai. Desta maneira, aquilo que falta a nós pecadores, a ele foi dado no modo mais perfeito. Por isso, ele é capaz de perdoar os nossos pecados e de nos reconduzir à comunhão com Deus.

sábado, 5 de janeiro de 2008

EPIFANIA DO SENHOR - Mt 2,1-12


ESTAMOS A CAMINHO!
Celebramos a festa da Epifania: essa palavra estranha vem do grego e significa "manifestação". A manifestação acontece quando pessoas se reúnem para uma coisa importante e desejam que todos a conheçam e a vejam; pode ser uma manifestação de protesto, de solidariedade, ou mesmo uma apresentação artística. No que diz respeito a festa que a Igreja hoje celebra, estamos diante de uma manifestação de Deus. É a festa na qual Deus se manifesta a todos os povos. Ele quebra o vínculo com o povo de Israel para estendê-lo a toda a humanidade.
A manifestação de Deus em Jesus não é destinada a um grupo restrito de pessoas, mas inclui todo o mundo como mostra o texto evangélico. Nele, aparecem três grupos de pessoas e sua relação com o recém-nascido em Belém: os magos, Herodes e os doutores da Lei e os escribas.
O termo "mago" é muito vago, mas de certo modo, refere-se aos espertos na observação dos astros, eram astrólogos. Tinham conhecimento da espera messiânica pelos judeus e tendo recebido uma indicação do nascimento do Messias, põem-se a caminho. Conhecem a direção, mas não sabem exatamente o que os espera. Estão a caminho. Vêm do Oriente e enfrentam todos os incômodos de uma viagem cansativa até Belém em busca do rei que nasceu.
Representam todos os pagãos, chamados a crer em Cristo. Representam todos nós. Representam a caminhada de todos os povos, anunciada pelo profeta Isaías: "os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora" (Is 60,1-6). A viagem dos magos é imagem do caminho de fé e de esperança que o homem de cada tempo realiza até Deus. A fé é sempre uma busca. Aquele que crê está sempre a caminho.
Chegando em Jerusalém, são mandados a um outro lugar. Agora, sabem com mais precisão, onde podem encontrar o rei. De fato, os escribas são espertos na Sagrada Escritura e dela deduzem o lugar de nascimento do Messias, Belém da Judéia: "E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo".
Os magos, que são pagãos, perseveram na busca do rei, pondo-se de novo a caminho. Por sua vez, os escribas para quem nasceu o rei, ficam indiferentes. Assim, o texto bíblico apresenta um grande contraste: os de fora (magos) buscam e encontram o Salvador e os de dentro (Herodes e os habitantes de Jerusalém) ficam indiferentes, rejeitam, têm medo. Herodes que defendia seu reino com violência e era odiado pelos judeus porque favorecia o império romano, agora, sente-se incomodado pela notícia do nascimento do rei dos judeus. Ele queria matar o menino, como demonstra a matança dos inocentes. Herodes significa todos aqueles que são tão apegados aos próprios interesses que não deixam nenhum espaço para este menino; pelo contrário, este é importuno e ameaçador.
Finalmente, a luz guia os magos até o menino; essa luz é símbolo de Cristo, luz do mundo. Ele nos chama a si através de uma grande variedade de sinais e indicadores luminosos, como a Palavra de Deus.
Os magos vêem o menino, dão-se conta que Ele não apresenta nenhum poder externo, nenhum esplendor; mas mediante a fé, o reconhecem como rei, senhor e pastor da humanidade. Seus presentes também são uma forma de reconhecimento: ouro, incenso e mirra. Ouro destinado aos reis, incenso destinado a Deus e mirra, planta medicinal de onde se estrai uma resina, que misturada a óleos, era usada como óleo curativo, cosmético e unções religiosas: Jesus é o Messias, o Cristo, o Ungido.
Os magos do Oriente não eram nem reis, nem três, nem se chamavam Gaspar, Melquior e Baltazar como apresenta a tradição popular. Isto não corresponde ao texto bíblico. Porém, corresponde ao espírito do Evangelho. São representados por um jovem, um adulto e um ancião; um asiático, um europeu e um africano (o mundo de então, já que as américas e a oceania não tinham sido "descobertas".). Tudo isto para significar que todas as idades e todas as pessoas caminham em direção a esta estrela que é Cristo, luz do mundo.
Jesus veio para todos nós: para os jovens e os idosos, para os sábios e os simples, para as pessoas de qualquer cor e de qualquer forma de vida, a fim de mostrar-nos Deus como Nosso Pai e ser uma Luz para a nossa vida. Como magos, não devemos deixar nos desviar do caminho que é Jesus, e sim sermos guiados por Deus, até atingirmos a meta. Podemos estar longe ou podemos estar perto, mas todos estamos a caminho!