quarta-feira, 17 de outubro de 2007

XXIX DOMINGO COMUM - Lc 18,1-8

O meu socorro vem do Senhor
Pode acontecer que na nossa vida nos questionemos: será que a oração funciona mesmo? Será que Deus escuta mesmo quem reza? Estas perguntas aparecem quando Deus parece não reagir diante da nossa súplica ou quando não nos damos conta de sua ação, como por exemplo, quando fazemos uma oração fervorosa, e depois de obtida a graça, não a consideramos como fruto da oração.
E isto nos leva a pensar que se a oração for realmente inútil, para que perdermos tanto tempo com ela?
Justamente por causa dessas dúvidas, é que a liturgia dominical insiste tanto em tratar o tema da oração. O Evangelho quer mostrar o quanto a oração é essencial na vida do discípulo, através de relatos onde o próprio Jesus reza ou quando ele nos orienta na prática da oração. Ele diz que pra que nossa oração seja eficaz, nós devemos: amar os nossos inimigos e rezar pelos que nos perseguem, rezar ao Pai “no segredo”, perdoar do fundo do nosso coração a quem nos ofendeu, rezar com audácia na certeza do obter e com plena adesão à vontade de Deus.
Na I leitura de hoje, vemos o esforço de Moisés em manter a mão levantada para vencer a batalha; no Evangelho, com a parábola da viúva importuna, Jesus nos exorta à paciência da fé, necessária quando nossa oração parece não ouvida e inútil.
No tempo de Jesus, a mulher viúva ficava numa situação muito difícil, sem meios para viver e sem proteção. A viúva do relato de Jesus tem necessidade de ser defendida e por isso, se dirige ao juiz. Mas, o juiz de sua cidade não tem interesse algum em ouvi-la. Pois, ele sabe que aquela pobre mulher não pode lhe pagar um preço alto e ele não quer perder seu tempo por uma causa que não dê muito lucro. Ele não se importa de maneira alguma com a situação da viúva, é totalmente indiferente, e recusa ouvi-la.
A viúva, porém, não perde a esperança: todos os dias, volta a se apresentar ao juiz, repetindo sempre a mesma coisa: “faze-me justiça contra o meu adversário!”. Os dias passam e o juiz já não agüenta mais aquela viúva importuna. Por um tempo, ele até faz de conta não se incomodar, mas um dia ele cansa de ouvir aquele aborrecimento e pensa: “mesmo não temendo a Deus nem respeitando ninguém, não suporto mais esta viúva me torrando a paciência, e por isso, vou fazer-lhe justiça para que ela me deixe em paz”.
Muitas vezes nos comportamos exatamente como esse juiz, e por isso, entendemos bem a parábola: a quem nos pede um favor que não queremos fazer, damos um sim pra ficarmos livres, que no final das contas, fazemos pensando em nós mesmos. Um comportamento destes não é próprio do coração de Deus.
Jesus termina de contar a parábola e pergunta aos discípulos: “vocês ouviram o que diz este juiz injusto? Pois bem, se até mesmo um juiz desonesto decide atender uma viúva para não ser mais incomodado por ela, como pensam que se comportará Deus que é Pai com relação aos filhos que imploram a ele? Eu lhes digo que Deus fará justiça bem depressa”.
Se não rezarmos, estamos dizendo a Deus que ele é impotente. É necessário que rezemos pacientemente, incessantemente. Entretanto, nós temos de ser conscientes de que não podemos prescrever quando e como ele nos atenderá. Uma coisa sabemos: ele nos fará justiça. Deus pode nos provar por um longo tempo, mas também pode intervir de modo rápido e inesperado.
Temos que ser pacientes no esperar. Esperar não é opção. Todos vamos ter que esperar e não sabemos por quanto tempo. É como nós esperamos o que faz a diferença. Muitas vezes, ficamos esperando em Deus, quando na realidade é Deus quem está esperando por nós. Deus não vai mudar de idéia nunca com a nossa teimosia. Há um tempo pra tudo, Deus faz as coisas conforme o pensamento dele, nunca conforme o nosso. Somos viciados na satisfação imediata. Hoje em dia não queremos esperar por nada.
Por isso, Jesus faz a pergunta: “mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” com esta pergunta, Jesus quer dizer que Deus é sempre fiel, menos segura é a capacidade que nós seres humanos temos de mantermos a fé em Deus em todas as provas. Se não formos pacientes no esperar, então não poderemos ser alcançados pelo socorro do Senhor. A pergunta de Jesus é um convite a ficarmos unidos a Deus por meio da oração confiante.

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