sexta-feira, 21 de setembro de 2007

XXV DOMINGO COMUM - Lc 16,1-13


Espertos, mas honestos
As palavras do profeta Amós (I leitura) e aquelas de Jesus nos convidam a refletir sobre a amarga realidade das coisas que hoje em dia é muito difícil poder fugir e na qual nos encontramos continuamente lutando contra todo tipo de manifestação sua: a realidade da injustiça, da maldade, da corrupção, da desonestidade. Ora, se a própria Bíblia cita em vários livros episódios de opressão, de exploração, é porque esta sempre foi uma constante na história da humanidade e não é de se admirar que ainda hoje experimentemos algo igual.
Estranhamente, no Evangelho de hoje, Jesus se utiliza de uma pessoa corrupta para ensinar algo útil para nossa vida de cristãos. Mas como é possível ser elogiado um homem que se apropria indevidamente de bens alheios e faz amigos à custa do patrão?
A parábola fala que um homem rico soube que seu empregado estava administrando mal os seus bens, e, por isso, ele exige uma prestação de contas antes de demitir tal empregado; este, por sua vez, com muita esperteza, raciocina: ‘vou ser demitido, não tenho como me defender. Como vou me sustentar? Não posso encarar um trabalho braçal e tenho vergonha de pedir esmolas. Já sei o que vou fazer. Vou diminuir as dívidas que as pessoas têm com meu patrão; assim, elas ficam me devendo este favor e por isso, vão me ajudar com algo enquanto eu estiver desempregado’.
Muito espertinho o empregado! Na época, a cobrança de juros era proibida pela Lei, assim, para obter o máximo dos outros, os vendedores diminuíam medidas, aumentavam pesos, adulteravam balanças, compravam os pobres, nada diferente do que existe por aí em todos os âmbitos da sociedade. Então, aquele empregado resolve reduzir as contas devidas ao seu valor real, perdendo os juros para o patrão e fazendo amigos para si mesmo. Usou o presente para providenciar o futuro.
Jesus com esta parábola constata: “realmente, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”. Somo filhos da luz, seguimos a luz do mundo que é Jesus; mas, muitas vezes, como cristãos, nos faltam a prontidão e o zelo daquele administrador da parábola em vez de ficarmos nos lamentando e reclamando.
Por isso, Jesus com base nessa verdade, dá três orientações com relação ao uso do dinheiro. Primeiramente, que devemos usar o dinheiro em favor do nosso próximo. Os bens que Deus confia a nossa administração não devem ser gastos de maneira egoística em vista de uma “boa vida”, mas devem ser usados conforme à vontade de Deus. Ou seja, sendo uma bênção para o outro. Jesus fala de dinheiro, mas aí devemos incluir tudo o que é bem terreno: as nossas capacidades, talentos, educação recebida etc. Tudo deve ser administrado fielmente e não pode ser esbanjado para engrandecer a nós mesmos e para o bem da nossa pessoa. A maneira como nos relacionarmos com o dinheiro contará muito para o nosso bem espiritual.
Em segundo lugar, ele nos ensinou que em tudo o que fizermos devemos ter bem claro na mente a honestidade: quem é fiel, quem é honesto no pouco, será no grande. Quem é desonesto nas pequenas coisas, também o será nas grandes; não podemos nos enganar e pensar que nas grandes coisas nos comportaremos de modo diferente. É como quando conseguimos um emprego de vendedor numa loja. Somente, se o patrão estiver seguro da nossa honestidade nas pequenas coisas, ele nos eleva de cargo. Até mesmo nas mínimas coisas da nossa vida, devemos ser honestos, principalmente com Deus.
Por fim, Jesus nos alerta para o perigo do dinheiro atrapalhar a nossa relação com Deus. Pois, estando envolvidos somente com lucro, corremos o risco de o colocarmos no lugar de Deus, já que não se pode servir ao mesmo tempo a dois senhores.
Às vezes, pensamos que ser cristãos significa ser ingênuos; que o cristão deve rejeitar as espertezas do mundo, deve opor-se aos compromissos do mundo e às astúcias da sociedade, deve evitar a ambigüidade e a vida dupla dos prepotentes: numa palavra deve ser simples. É! Mas devemos entender que não podemos ser ingênuos. Jesus não elogia quem age de maneira desonesta, mas ele nos convida a usarmos da esperteza como aquele empregado desonesto que viu que aqueles bens estavam prestes a acabar e se tocou que com eles poderia buscar valores mais duradouros, como os amigos que fazemos quando praticamos o amor ao próximo.

3 comentários:

Anônimo disse...

Saudações em Cristo!

Sou sacerdote e gostaria de dar graças a Deus por esta iniciativa sua de postar um comentário sobre as leituras de cada domingo. Mais um recurso colocado à disposição para enriquecer a pregação ao nosso povo.

Parabéns pela clareza da linguagem e pelo empenho na evangelização.

Um fraterno abraço de um irmão no Senhor.

Pe. Jacques S. Rodrigues

Pe.Carlos Henrique Nascimento disse...

Pe. Jacques, muito obrigado pelas palavras. Elas me encorajam a me empenhar ao máximo para que a Palavra de Deus seja conhecida, entendida e praticada.

Monsueto Araujo de Castro disse...

ENGANAR AS PESSOAS EM NOME DE JESUS:É com tristeza que vejo muitos pregadores desonestos, enganando as pessoas em nome de JESUS. É muita gente safada, visando apenas dinheiro, mais dinheiro, falando o nome de JESUS. Você para alcançar ou ser atendido por DEUS, não precisa pagar ou dar dinheiro pra ninguem, é só fazer o pedido com fé. Agradeça quando for atendido. Podendo, ajude sim.É importante participar e ajudar as pessoas. Existem muitas instituíções religiosas sérias, procure obter informações,antes de se tornar membro de alguma delas.