quinta-feira, 13 de setembro de 2007

XXIV DOMINGO COMUM - Lc 15,1-32


REENCONTRANDO O AMOR PERDIDO
O Evangelho de hoje nos apresenta três parábolas. Cada vez que lemos uma mesma parábola, descobrimos novos significados que nos guiam em nosso caminho. O que estas parábolas logo de imediato falam para o mundo de hoje é que Deus não é um ser distante, severo, castigador. Ficar com uma idéia dessas atrapalha a nossa maneira de pensar, de agir, de viver. Deus é um pai amoroso, cheio de ternura para com todos e com cada um em particular.
Logo nos primeiros dois versículos, encontramos a chave de leitura para o sentido do texto: ali, encontramos os fariseus e escribas, convencidos de serem perfeitos que, por isso, desprezam os pecadores e ignoram a atitude de Jesus de se juntar com estes.
Na primeira parábola, Jesus nos convida a encontrar a ovelha perdida. “Se um de vós (todos nós somos interrogados) tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto e vai atrás daquela que se perdeu até encontrá-la?” Para nós, pode ser absurdo deixar noventa e nove num lugar deserto para ir atrás de uma única ovelha, mas para Jesus isso é óbvio; tanto que a própria maneira de fazer a pergunta, já prevê uma resposta afirmativa. Para Deus, cada ser humano tem igual valor.
Encontrar qualquer coisa que perdemos traz uma imensa satisfação e se tratando de uma pessoa, mais ainda. Podemos imaginar uma mãe que depois de uma busca incansável movida pela esperança, encontra seu filho desaparecido, como há tantos casos no nosso Brasil. É uma alegria fora do normal. Assim eu imagino que seja a alegria que Deus sente cada vez que nos reencontramos com Ele: “coloca-a nos ombros com alegria”; “alegrai-vos comigo” e “haverá no céu mais alegria”.
A esta altura, todos já entendemos que Jesus com seu comportamento queria mostrar o amor misericordioso que recebera do Pai para com todos e ao mesmo tempo, fazer entender ao fariseus que eles estavam errados. É como se ele nos dissesse: eu cumpro o que recebi do meu Pai, o amor infinito e por isso, me aproximo dos pecadores sim; e o que eu faço vocês devem fazer também.
Devemos ir ao encontro das pessoas desprezadas e que já se entregaram a autocondenação. Até porque também nós precisamos deste amor. Há pessoas que se acham corretas demais e não se misturam com “qualquer tipo de gente” com medo de se contaminar. É a atitude de fariseu, do falso eu, do mascarado. Façamos como Jesus: ele comia com os pecadores, com as pessoas de má reputação, mas o diferencial de Jesus era que, envolvendo-se com estas pessoas, ele nunca era influenciado por elas; pelo contrário, com sua atitude, contagiava todas elas.
Nós somos canais do amor de Deus para os outros, principalmente para os mais necessitados de amor. “A maior doença do mundo de hoje não é a tuberculose nem a lepra, mas o não sentir-se amado, o sentir-se abandonado”, dizia Madre Teresa. As pessoas precisam sentir o amor de Deus através de nós e vice-versa.
A segunda parábola: a da moeda perdida vai no mesmo caminho: fala da alegria que a dona de casa sente e partilha com suas amigas por achar aquela moeda necessária para sua sobrevivência.
Quanto a terceira parábola, já se encontra interpretada no IV domingo da Quaresma; mas, gostaria apenas de destacar alguns traços que nos ajudam a aprofundar a melhor a mensagem central deste capítulo. Nas duas parábolas anteriores, a iniciativa é sempre de Deus, já que a ovelha nem a moeda têm como voltar pra seus donos por si só. Já a parábola dos dois filhos, é o filho pródigo quem começa o caminho de volta, mas antes que chegue, é o pai que quando o avista, corre ao seu encontro, o abraça e o cobre de beijos. Que imagem bonita! Esta iniciativa do filho de retornar é para mostrar que somente é possível receber este amor de Deus se deixarmos de ser cabeças-duras e estarmos abertos para este amor. A reação do filho maior revela ainda a atitude dos fariseus: inveja, raiva, presunção, superioridade em relação aos outros. Ele chega a dizer ao pai: “este teu filho”, como se não fosse irmão dele. Que desprezo, que coração soberbo. Quantas vezes fazemos o mesmo interpretando mal a vida dos outros? Não condenemos o que não conhecemos.

2 comentários:

antonio disse...

Hoje descobri seu blog. Quero parabenizá-lo pela iniciativa. Não desanime. Prossiga sua missão. Seu material é muito útil à preparação da liturgia dominical. Um abraço.

Pe.Carlos Henrique Nascimento disse...

Caro Antonio, muito obrigado por seu comentário. Fico feliz por meu material ser útil. Espero que Deus me ilumine pra melhorar cada vez mais.