terça-feira, 10 de julho de 2007

XV DOMINGO COMUM


Lc 10,25-37 – Quem é o próximo que devemos amar?
No Evangelho deste domingo, Jesus nos conta uma parábola bastante interessante e conhecida por todos nós: a do bom samaritano. Talvez tenhamos sempre pensado que sua mensagem central fosse a da caridade ao próximo; antes disso, porém, Jesus quer que entendamos quem é esse próximo.
Conhecemos bem a história: um homem viajava de Jerusalém para Jericó (40 km); no caminho, ele foi assaltado por bandidos que além de roubarem o pouco que ele tinha, também o maltrataram, deixando-o muito ferido e caído no chão quase morto. Jesus contou esta parábola a um "mestre da Lei" (um especialista em interpretar as Escrituras). Este sabia que o único caminho para a vida eterna era: "Amar a Deus em primeiro lugar e amar o próximo como a si mesmo”. Mas, se como ele se gabava de cumprir este mandamento e Jesus pede que o cumpra, ele se tocou de que a idéia de próximo para Jesus era bem mais abrangente do que a sua visão fechada e excludente. Por isso, perguntou, "E quem é o meu próximo?"
Na história do bom samaritano, não sabemos os nomes das personagens, mas sabemos o que faziam. Quanto ao homem assaltado, não sabemos nada, um viajante, um agricultor. Era uma pessoa carente, excluída, sem ninguém no mundo. Lá está ele: jogado à beira da estrada abandonado.
Entram em cena, então, aqueles que poderiam fazer algo por ele: um sacerdote e um levita (sacerdote, descendente de Levi, que tinha mais prestígio na classe sacerdotal). Diz o Evangelho: “por acaso, um sacerdote estava passando por aquele mesmo caminho”, pois voltava de Jerusalém, lugar onde obrigatoriamente cumpria suas funções sacerdotais. Imagino quantas pessoas já pensaram que a história termina aqui, pois é de se supor que o sacerdote tenha ajudado o homem caído. Mas, não! A Bíblia fala que numa atitude de completo desprezo, o sacerdote passa pelo outro lado, totalmente indiferente perante aquela situação; talvez tivesse muito cansado de seus serviços no Templo e com saudades da família, pensou logo no tempo que ia gastar pra socorrer aquele homem. Queria descansar já. Afinal de contas, o que ele tinha a ver com aquele acontecimento? Nada.
A história continua: o mesmo aconteceu com um levita que passava ali também. Este viu o homem, mas, também passou pelo outro lado. O sacerdote nem sequer olhou para ver quem era. O levita, quem sabe, preocupado, pois poderia ser um parente ou amigo seu, parou por um instante, olhou-o, e como não o reconhecesse, passou longe. E lá ficou o homem caído. E agora? Será que ninguém vai socorrer este pobre coitado?
Neste momento, aparece um estranho, um “inimigo”, isto é, um samaritano, um estrangeiro. Ora, já fazia cerca de 800 anos que os judeus não se davam bem com os samaritanos, porque em 722 a.C., o rei da Assíria tinha tomado a Samaria e assim, com a chegada de babilônios e sírios, que trouxeram suas tradições, crenças religiosas, aquele grupo de judeus perderam a sua pureza como raça. Os samaritanos eram considerados pelos judeus como uma “peste” incrustada no seu território.
O moribundo sentiu que alguém parou, e se aproximou dele. Quem seria? Era um samaritano! E o samaritano teve compaixão dele, tratou suas feridas, colocou-o em cima do seu próprio animal e o levou para uma pensão para cuidar melhor dele. No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou ao dono da pensão, recomendando que tomasse conta dele. Finalmente, alguém viu o drama daquele homem sofrido; alguém sentiu por ele; alguém se envolveu, alguém o ajudou, alguém o amou. E por estranho que pareça, quem ajudou era um ser rejeitado, um inimigo.
Depois de ter terminado de contar a parábola, Jesus perguntou ao mestre da lei: “e então! Quem destes três foi o próximo do homem?” O homem respondeu sem hesitação: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Sua resposta estava correta.
O Evangelho de hoje nos pede uma tomada de posição. Devemos reconhecer que qualquer pessoa, especialmente aquela desprezada pela sociedade, é nosso próximo a quem devemos oferecer o nosso amor com gesto e não só com palavras.
O anônimo samaritano, protagonista do relato, não fica raciocinando (teria todas as razões do mundo para não agir devido ao modo como era considerado pelos vizinhos judeus); mas, simplesmente vê um na necessidade e age. Como estamos distantes do samaritano! Distantes do que praticou Jesus, São Francisco, Madre Teresa e tantos santos. E é porque conhecemos esta parábola desde o tempo do catecismo.A nós, que não nos damos conta de quem está ao nosso lado, precisando de uma ajuda, uma palavra; a nós, que damos uma desculpa: “não tenho tempo”, “tenho outras coisas pra fazer”, “agora não posso, venha amanhã”; a nós, não mais tão disponíveis a escutar o outro; a nós, impacientes com os nossos enfermos e idosos; a nós, que nos afastamos do mendigo fedorento que bate a nossa porta por quem muitas vezes sentimos nojo, Jesus hoje repete mais do que nunca: “passou um samaritano e parou”. “Faça a mesma coisa!”.

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