quinta-feira, 26 de julho de 2007

XVII DOMINGO COMUM – Lc 11,1-13


A oração é uma conversa entre dois amigos

Acredito que uma vida de oração faz parte da caminhada pessoal de cada cristão. Até aprendermos a rezar teremos de enfrentar muitas coisas como o esforço, a dúvida, angústias, obstáculos. Quantos de nós, não estamos satisfeitos com a nossa vida de oração? Podem surgir dúvidas de qualquer tipo: desde o fato de ficar pensando se Deus realmente está nos ouvindo enquanto estamos falando com ele até o ponto de ficarmos frustrados com nossas orações, pensando algo do tipo: será que não rezei direito ou o suficiente?
Ouvir pessoas fazendo belas orações espontâneas diante da comunidade ou ver outras passarem horas diante do Santíssimo Sacramento me incomodava durante algum tempo na minha vida, pois eu não conseguia absolutamente fazer nada daquilo, o que me deixava frustrado porque não conseguia entender o que eu tinha que fazer pra rezar daquele modo.
Bom, pelo menos consegui entender que só o fato de sentir isso, já era um bom sinal, pois significava que eu tinha esse desejo de rezar. Descobri que a oração é um elemento essencial na nossa vida. Enquanto rezamos, Deus nos ouve e nos responde a fim de mudarmos a nossa vida que sempre está em processo de crescimento. A verdade é que, no fundo do nosso ser, ansiamos por uma profunda, rica e eficaz relação com Deus.
Nunca devemos nos angustiar por isso, não temos a obrigação de saber rezar, temos a obrigação de aprender. Ora, até os discípulos de Jesus que já tinham passado tanto tempo com ele, sentiram necessidade de pedir a ele que os ensinasse a rezar: “Senhor, ensina-nos a rezar!” (Lc 11,1). Jesus os ensinou a rezar, e eu acredito que quando nós pedimos a ele, ele nos ajuda também. Dessa forma, experimentamos uma crescente eficácia, liberdade e encanto em nossa vida de oração. A oração é realmente algo muito simples, algo natural tal como é respirar. E não é simplesmente fazer uma lista de pedidos, uma simples recitação de palavras para afastar desgraças e pedir coisas. A oração é simplesmente falar com Deus e ouvir o que ele tem a nos dizer.
A oração é algo pessoal. Deus nos criou para termos uma relação íntima com Ele. E não adianta se afastar dele, pois ele nunca se afasta de nós. Mais cedo ou mais tarde, iremos entender isso. E, se a oração é pessoal, acredito que cada um aprenderá o seu modo próprio de entrar em contato com ele. É perca de tempo querer imitar os outros; por mais que queiramos impressionar ou quando somos pressionados para isso, isso não levará a nada. Uma jovem mãe com alguns filhos bem inquietos não tem a mesma vida de oração que uma mãe tem com os filhos já crescidos e casados.
A oração encontra seu fundamento na amizade. O segredo para uma vida de oração eficaz é se aproximar de Deus como nosso melhor amigo. Quando nós não temos Deus como nosso amigo, nós relutamos a pedir-lhe por algo porque sentimos vergonha do nosso comportamento ou por medo, o que mostra que temos uma visão negativa dele; pois, amigos são sinceros, não têm medo um do outro. E em Jo 15,15, Jesus nos chama de “amigos” porque ele dividiu conosco o que ele ouviu do Pai. A amizade é partilha, aberta e honesta, e nós compartilhamos com Deus através da oração. Assim, uma boa relação com Deus não é construída sobre o fato de cada vez que nos desesperarmos, corrermos até ele para que nos socorra, mas, sobre a reciprocidade, partilha e relacionamento.
Nós desenvolvemos uma amizade com Deus, compartilhando nossa vida com ele cada dia, assim como fazemos com nossos amigos. Quanto tempo gastamos com nossos amigos?! E com Deus? Temos de incluí-lo nos nossos pensamentos e nas nossas atividades do dia-a-dia: quando acordamos, nos deitamos, viajamos, caminhamos, comemos, preparando a comida etc.
Por fim, a oração requer audácia, coragem. Na amizade, mais que pedir, mostramos as nossas necessidades ao amigo e ele nos ajuda. Nem Marta nem Maria pediram um milagre a Jesus, simplesmente disseram a ele que Lázaro tinha morrido e ele entendeu que precisava fazer algo. Que intimidade a de Abraão com Deus na primeira leitura, quando intercedia pelos justos! À medida que o nosso relacionamento com Deus se torna profundo, nossas orações não só se tornam corajosas, mas também eficazes em favor dos outros.
No texto evangélico deste domingo, depois de ensinar-nos a oração do Pai Nosso (a versão de Lucas é simplificada), Jesus nos indica como devemos rezar esta oração: com persistência e insistência. Ele cita como exemplo uma pessoa que vai até a casa de seu amigo à meia-noite para pedir pão. Pela história, entendemos que ele foi atendido por sua persistência e insistência desavergonhada. E só podemos fazer isso quando uma relação de amizade é verdadeiramente próxima. Que busquemos, cada um de nós, nos aproximarmos de Deus como a um bom amigo, em quem confiamos e partilhamos a nossa vida.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

XVI DOMINGO COMUM - Lc 10,38-42


Marta e Maria, imagem do discipulado
Depois da parábola do “bom samaritano”, Lucas apresenta Jesus que faz uma pausa na sua viagem para Jerusalém para visitar Marta e Maria, onde dá uma nova indicação que complementa àquela do texto anterior sobre o tema de como herdar a vida eterna. Estas duas mulheres eram irmãs de Lázaro e viviam num povoado bem perto de Jerusalém chamado Betânia (Jo 11,1; 12,1-3).
O texto diz que Marta recebeu Jesus em sua casa. O verbo usado em grego para “receber” indica a acolhida que se oferece a um hóspede, uma característica própria do povo judeu do tempo de Jesus.
Nos diversos comentários sobre este trecho evangélico, podemos encontrar uma certa tendência a contrastar a atitude de Maria em detrimento da de Marta. Mas, como iremos notar, a atitude de Maria é uma ilustração concreta do amor a Deus, já que na narração precedente, tivemos uma ilustração do amor ao próximo.
Como diz o texto, Maria se sentou aos pés do Senhor para escutar sua palavra. Maria estava sentada ao lado de Jesus, postura característica do discípulo que escuta atento os ensinamentos do Mestre.
Marta, pelo contrário, estava ocupada com muitos afazeres. É óbvio que Marta também queria escutar os ensinamentos do Mestre, mas alguém tinha que trabalhar para que Jesus se sentisse bem acolhido e não lhe faltasse nada. Afinal de contas, alguém tinha que fazer a refeição; talvez Marta não tivesse empregados nem dispunha dos serviços que dispomos hoje como self-sevice, comida pronta etc.
Enquanto Maria escutava, Marta servia. Esta, inquieta com a atitude da irmã, se aproxima de Jesus e lhe pergunta se ele não estava achando Maria folgada demais, enquanto ela fazia tudo sozinha? Bem que Maria poderia dar uma mãozinha à irmã!
Mas, Jesus com uma suave repreensão, disse: Marta, Marta! Você se preocupa com muitos detalhes? Essa atitude de Jesus ilumina o que ele mesmo disse em Mc 10,45: “eu não vim para ser servido, mas para servir”.
Jesus continua e diz: “porém, uma só coisa é necessária”. Mas, uma tradução que ajuda a entender melhor o texto como um todo diz: “pouca coisa basta, não se preocupe em fazer muitos pratos nem em me oferecer muita coisa. Maria escolheu a parte boa e isto lhe está assegurado”.
Este evangelho é uma exortação à vida contemplativa, um convite a escuta da Palavra de Deus. Mas, querer colocar a escuta como superior a prática, é interpretar de maneira alegórica, que não só carece de fundamento no próprio relato, como vai contra as diretrizes dos últimos documentos sobre a interpretação da Bíblia. O texto quer dizer que a vida do cristão deve ser caracterizada pelo “ora et labora” como expressou tão bem São Bento.
Betânia (Marta e Maria) é um ícone, imagem da Igreja. Igreja, lugar onde Jesus habita, lugar no qual não somente se fala e se celebra a presença de Deus, mas onde o acolhemos no nosso coração, onde preparamos a ceia do Senhor, com gestos simples e intensos de afeto e verdade.
Como seria bom se a nossa casa, os nossos lares, as nossas famílias se tornassem uma Betânia, capazes de acolher, como fez tão bem Abraão na visita inesperada dos três homens junto ao carvalho de Mambré (I leitura – texto onde podemos ver uma imagem da Santíssima Trindade).
Marta e Maria se tornaram modelo, estilo de vida para o cristão. Infelizmente, quase sempre erroneamente elas são confrontadas. O ativismo de Marta em contraposição à atitude contemplativa de Maria. Superioridade da oração sobre a ação. Esta é uma interpretação incapaz de colher o profundo deste texto. Pois, Marta e Maria, as duas irmãs, são o modelo das duas partes da vida cristã: oração e ação. Não pode existir uma sem a outra, não há discipulado autêntico sem ambas. O discípulo busca na oração, na oração silenciosa e constante, cotidiana e autêntica, o encontro com Jesus. A nossa oração deve ser um escutar o silencioso murmúrio de Deus em nós. E o discípulo encontra Jesus quando o reconhece no irmão que sofre. Uma fé que não sai das igrejas, que se resume àquela horinha da missa dominical, que não muda a relação com o próximo, que não ensina a refletir a vida e mudá-la à luz do Evangelho, é e permanece estéril.
Marta e Maria, portanto, são indicação essencial do “ser cristão”.

terça-feira, 10 de julho de 2007

XV DOMINGO COMUM


Lc 10,25-37 – Quem é o próximo que devemos amar?
No Evangelho deste domingo, Jesus nos conta uma parábola bastante interessante e conhecida por todos nós: a do bom samaritano. Talvez tenhamos sempre pensado que sua mensagem central fosse a da caridade ao próximo; antes disso, porém, Jesus quer que entendamos quem é esse próximo.
Conhecemos bem a história: um homem viajava de Jerusalém para Jericó (40 km); no caminho, ele foi assaltado por bandidos que além de roubarem o pouco que ele tinha, também o maltrataram, deixando-o muito ferido e caído no chão quase morto. Jesus contou esta parábola a um "mestre da Lei" (um especialista em interpretar as Escrituras). Este sabia que o único caminho para a vida eterna era: "Amar a Deus em primeiro lugar e amar o próximo como a si mesmo”. Mas, se como ele se gabava de cumprir este mandamento e Jesus pede que o cumpra, ele se tocou de que a idéia de próximo para Jesus era bem mais abrangente do que a sua visão fechada e excludente. Por isso, perguntou, "E quem é o meu próximo?"
Na história do bom samaritano, não sabemos os nomes das personagens, mas sabemos o que faziam. Quanto ao homem assaltado, não sabemos nada, um viajante, um agricultor. Era uma pessoa carente, excluída, sem ninguém no mundo. Lá está ele: jogado à beira da estrada abandonado.
Entram em cena, então, aqueles que poderiam fazer algo por ele: um sacerdote e um levita (sacerdote, descendente de Levi, que tinha mais prestígio na classe sacerdotal). Diz o Evangelho: “por acaso, um sacerdote estava passando por aquele mesmo caminho”, pois voltava de Jerusalém, lugar onde obrigatoriamente cumpria suas funções sacerdotais. Imagino quantas pessoas já pensaram que a história termina aqui, pois é de se supor que o sacerdote tenha ajudado o homem caído. Mas, não! A Bíblia fala que numa atitude de completo desprezo, o sacerdote passa pelo outro lado, totalmente indiferente perante aquela situação; talvez tivesse muito cansado de seus serviços no Templo e com saudades da família, pensou logo no tempo que ia gastar pra socorrer aquele homem. Queria descansar já. Afinal de contas, o que ele tinha a ver com aquele acontecimento? Nada.
A história continua: o mesmo aconteceu com um levita que passava ali também. Este viu o homem, mas, também passou pelo outro lado. O sacerdote nem sequer olhou para ver quem era. O levita, quem sabe, preocupado, pois poderia ser um parente ou amigo seu, parou por um instante, olhou-o, e como não o reconhecesse, passou longe. E lá ficou o homem caído. E agora? Será que ninguém vai socorrer este pobre coitado?
Neste momento, aparece um estranho, um “inimigo”, isto é, um samaritano, um estrangeiro. Ora, já fazia cerca de 800 anos que os judeus não se davam bem com os samaritanos, porque em 722 a.C., o rei da Assíria tinha tomado a Samaria e assim, com a chegada de babilônios e sírios, que trouxeram suas tradições, crenças religiosas, aquele grupo de judeus perderam a sua pureza como raça. Os samaritanos eram considerados pelos judeus como uma “peste” incrustada no seu território.
O moribundo sentiu que alguém parou, e se aproximou dele. Quem seria? Era um samaritano! E o samaritano teve compaixão dele, tratou suas feridas, colocou-o em cima do seu próprio animal e o levou para uma pensão para cuidar melhor dele. No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou ao dono da pensão, recomendando que tomasse conta dele. Finalmente, alguém viu o drama daquele homem sofrido; alguém sentiu por ele; alguém se envolveu, alguém o ajudou, alguém o amou. E por estranho que pareça, quem ajudou era um ser rejeitado, um inimigo.
Depois de ter terminado de contar a parábola, Jesus perguntou ao mestre da lei: “e então! Quem destes três foi o próximo do homem?” O homem respondeu sem hesitação: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Sua resposta estava correta.
O Evangelho de hoje nos pede uma tomada de posição. Devemos reconhecer que qualquer pessoa, especialmente aquela desprezada pela sociedade, é nosso próximo a quem devemos oferecer o nosso amor com gesto e não só com palavras.
O anônimo samaritano, protagonista do relato, não fica raciocinando (teria todas as razões do mundo para não agir devido ao modo como era considerado pelos vizinhos judeus); mas, simplesmente vê um na necessidade e age. Como estamos distantes do samaritano! Distantes do que praticou Jesus, São Francisco, Madre Teresa e tantos santos. E é porque conhecemos esta parábola desde o tempo do catecismo.A nós, que não nos damos conta de quem está ao nosso lado, precisando de uma ajuda, uma palavra; a nós, que damos uma desculpa: “não tenho tempo”, “tenho outras coisas pra fazer”, “agora não posso, venha amanhã”; a nós, não mais tão disponíveis a escutar o outro; a nós, impacientes com os nossos enfermos e idosos; a nós, que nos afastamos do mendigo fedorento que bate a nossa porta por quem muitas vezes sentimos nojo, Jesus hoje repete mais do que nunca: “passou um samaritano e parou”. “Faça a mesma coisa!”.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

XIV DOMINGO COMUM - Lc 10,1-12.17-20


COMO CORDEIROS ENTRE LOBOS
Jesus já tinha enviado os doze apóstolos em missão (Lc 9,1-6). Mas, estes, apesar de formarem o núcleo da jovem Igreja, não foram mandados como precursores de Jesus, já que não tinham ainda identificado como Messias aquele que os enviara (Lc 9,20). Agora, Lucas narra que Jesus envia um novo grupo: o dos setenta e dois discípulos; estes, sim, são enviados “na frente” de Jesus, portanto, como precursores, como preparadores da chegada do reino de Deus que eles anunciam com a pessoa de Jesus.
Mas, quem eram os 72? Este número é simbólico e indica a universalidade da missão: o número 72 é múltiplo de 12 (totalidade do povo de Deus). A missão, portanto, não é uma tarefa somente de alguns, do grupo dos doze, mas uma obra também dos leigos, ou seja, de todos os cristãos. Portanto, a missão é universal desde a sua origem e compreende todos.
As instruções para os dois grupos de missionários são praticamente as mesmas. O texto especifica que Jesus envia “dois a dois”, pois o anúncio do Evangelho não é uma tarefa pessoal, mas de uma comunidade. O fato de serem enviados pelos menos dois também quer mostrar a credibilidade do testemunho, além do fato do encorajamento que um pode dar ao outro no caso de desânimo diante das dificuldades.
Em seguida, Jesus, depois de ter falado em semente e em arado, fala agora de colheita. Esta é imensa, mas os trabalhadores disponíveis são poucos. E a situação é a mesma, ontem e hoje. É um trabalho gigantesco, e nunca haverá trabalhadores suficientes; só o Pai pode chamá-los e enviá-los, por isso, é necessário rezar a Ele, pedindo que chame mais pessoas. É justamente por causa da extensão da missão que Jesus chama mais este grupo de ajudantes, e, mesmo assim, são poucos diante da imensidão da missão que ele tem pela frente e da qual nos torna participantes.
Jesus faz o envio: “Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos”. É a imagem clássica da fraqueza diante da violência. A missão é uma obra difícil e perigosa. Aqueles que ele enviou devem cumprir fielmente o seu trabalho, mas não devem exigir demasiado de si mesmos nem entrar em pânico diante da grandeza da missão. Devem, sim, ter consciência que não será uma tarefa fácil e que nem sempre serão recebidos de braços abertos. Devem fazer sua parte com competência e perseverança, pois, em último caso, a responsabilidade é de Deus, e Ele não vai deixar cair em ruínas a sua messe, mandando trabalhadores necessários para isto.
A mensagem a ser levada é o dom da paz, no sentido mais completo, para as pessoas e às famílias (v.5), e, sobretudo, a mensagem de que é “o Reino de Deus está próximo de vós” (v.9.11). O reino de Deus é antes de tudo uma pessoa: Jesus. Quem o acolhe encontra a vida, a alegria, a missão de anunciá-lo. O gesto de bater, sacudir a poeira dos pés, era um gesto simbólico dos israelitas que, ao ingressar de novo no próprio país, depois de terem estado em terra pagã, não queriam ter nada em comum com o modo de vida dos pagãos. Libertar-se da poeira que se grudou aos pés enquanto estavam em território pagão significava ruptura total com aquele sistema de vida. Fazendo isso, os discípulos transferem toda responsabilidade pela rejeição da Palavra àqueles que os acolheram mal e rejeitaram o anúncio do evangelho. E a paz oferecida não se perde, mas volta a quem oferece.
O estilo da missão de Jesus e dos discípulos é o oposto daquele dos poderosos que o mundo de hoje idolatra. Não se baseia sobre a vontade de dominar, a arrogância ou a ambição (coisas típicas de lobos), mas sobre a proposta humilde (não devem levar nada de material, mas devem contar com a providência divina e com a hospitalidade fortemente praticada naquela época), respeitosa, atenta aos mais fracos (curai os doentes), oferecida na gratuidade, sem buscar outras recompensas. O Evangelho de Jesus é uma mensagem de vida verdadeira para quem confia somente em Deus, que é Pai e também Mãe: “como uma mãe que acaricia o filho, assim eu vos consolarei” (I leitura) e em Cristo crucificado e ressuscitado (II leitura).
Os 72 tinham uma tarefa nova e difícil. Mas, estes voltam para Jesus muito contentes porque ficaram impressionados pelos prodígios que puderam ver. Jesus freia um pouco esta alegria e diz: “antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”.
Como, podemos, nós, discípulos de Jesus, seguir nossa missão em meio aos lobos do tempo atual? A missão é mais forte do que o medo. Às vezes, somos tomados por pensamentos negativos, tipo “o que vão pensar?” ou “o que vão dizer?”. É humano sentir medo, mas a missão deve superar os nossos temores. Nenhum profissional tem medo de falar de sua profissão. Então, por que deveríamos, nós cristãos, ter medo de falar de Cristo, da sua pessoa, da sua verdade, da sua vida, do seu amor, do seu mistério? A fé e a missão começam no coração e devem terminar nos lábios e nas ações. Não podemos deixar que o receio atrapalhe a nossa missão cristã.