quinta-feira, 7 de junho de 2007

X DOMINGO COMUM: O DEUS DOS FRACOS


Lc 7,11-17

Em qualquer lugar do mundo vamos encontrar pessoas sofridas e menosprezadas, que como dizia Madre Teresa de Calcutá, são “os pobres entre os pobres”. É a uma pessoa como esta, a saber, a uma viúva da cidade de Naim, que no Evangelho de hoje, Jesus demonstra compaixão, atenção e seu amor pelos mais fracos, levando-lhes o Evangelho da vida.
Que situação a daquela viúva! Ela se encontra num grande sofrimento, pois além de ser viúva, perde o único filho que tem. Isso sem contar a situação de necessidade pela qual ela está passando. De fato, na terra de Jesus, as viúvas e os órfãos eram conhecidos como os “fracos” por definição do ponto de vista social, e, freqüentemente, era lembrado o dever de tratá-los com atenção. Pois era o marido quem garantia a estabilidade da mulher na sociedade e era responsável por todo o seu sustento. Se ele morresse, o filho mais velho tinha o dever de arranjar uma forma de sustentar a mãe. Portanto, a mulher que Jesus encontra tinha perdido não só o seu único filho, mas também a sua única fonte de sobrevivência. Agora, ela não tinha proteção alguma e dependia da boa vontade dos seus vizinhos.
Interessante neste texto, é que diferentemente de outros relatos de milagres, ninguém pede a ajuda a Jesus. E é até óbvio já que não existe cura para a morte. Assim, Jesus age de livre e espontânea vontade. Diante da necessidade daquela mulher, ele não se mostra impotente nem indiferente, mas sente compaixão. A necessidade dela o comove. Para ele, aquela viúva não é uma anciã que não conta nada, que deve sofrer um destino semelhante ao de tantas mulheres e que deve suportá-lo. Não! Ele se dirige a ela de um modo todo particular. Não há diante de si um caso como tantos, mas uma pessoa, e na sua misericórdia, reconhece a realidade da sua dor, dizendo-lhe: “Não chore!” Palavras que pronunciadas por qualquer outra pessoa poderiam soar como uma gozação. Jesus ajuda concretamente. Nem a morte impede a sua ação. Ele chama de volta à vida o filho da viúva (“Jovem, eu te ordeno, levanta-te!); e, depois disso, “o entregou à sua mãe”, eliminando assim aquela situação de transtorno.
Como podemos perceber, Jesus não foi constrangido a fazer nada com relação ao filho da viúva nem ficou triste porque este morreu tão jovem. A sua compaixão é para com a viúva. O jovem não foi reanimado porque Jesus teve pena dele, mas porque ele teve compaixão da viúva, para que o filho a sustentasse.
Com isso, fica claro que o sentido da nossa vida não reside no fato de vivermos para nós mesmos, mas em vivermos uns para os outros e assim tornarmos recíproca a vida. Por meio do gesto de Jesus, mãe e filho, separados pela morte, agora estão novamente unidos numa comunidade de amor.
Quantas pessoas se encontram numa situação semelhante à daquela mulher? A que serve, então, o gesto de Jesus em favor da viúva de Naim para aquele povo e para nós hoje? Com certeza, ficaram maravilhados porque “Deus veio visitar o seu povo”.
O gesto misericordioso de Jesus deve servir também de estímulo para nós a fim de nos ajudar a viver o amor ao próximo. O modo como Jesus trata a viúva, levando a sério a sua situação, dirigindo-se a ela e ajudando-a, mostra a sua atitude, nos permite penetrar no seu coração. E do momento em que no seu gesto concreto se encontra a misericórdia de Deus, é nos manifestado o modo de se comportar de Deus. Jesus tem um coração bondoso e pronto para agir. O seu gesto mostra o que realmente ele considera importante. Ele não apresenta regras ou programas. Não conquista reinos, nem cria uma nova ordem social. Ele se dirige ao homem que sofre, se preocupando com a sua necessidade pessoal e o ajuda.
Assim, a mensagem deste Evangelho não é a de que cada pessoa necessitada receba uma ajuda da mesma maneira como Jesus ajudou a viúva, mas que a cada necessitado seja dirigido do mesmo modo o coração de Jesus e o amor de Deus. E essa é tarefa nossa. O relato da viúva de Naim evoca o povo que perde a sua esperança quando perde o Messias pregado na cruz, e o reencontra na ressurreição. Nós também somos convidados vivamente a acreditarmos no amor que Jesus nutre por nós e que nos dá vida a ponto de nos estimular a oferecermos o nosso amor principalmente àquelas pessoas que são paupérrimas do amor de Deus. Que sejamos instrumentos do amor de Deus para elas.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muy lindos tus comentarios Caique me ayudan mucho gracias.