segunda-feira, 25 de junho de 2007

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO


Mt 16,13-19 QUANDO SOU FRACO, ENTÃO É QUE SOU FORTE
Neste domingo, celebramos a solenidade de São Pedro e São Paulo, colunas fundamentais da fé da Igreja. O que podemos destacar destes dois grandes apóstolos, entre tantas características, obras e testemunhos de cada um deles? Pedro e Paulo são diferentes por natureza, mas idênticos no amor a Cristo e à Igreja. Jesus muda o nome dos dois: Simão passa a se chamar Pedro, e Saulo, por sua vez, Paulo. Ambos têm um encontro com Jesus ressuscitado: Pedro sobre as margens do Jordão e no Lago de Tiberíades, Paulo sobre o caminho de Damasco. Ambos dão a vida por Cristo até o martírio em Roma. Dois santos, podemos dizer, que nunca estão parados. Homens como nós, com tantas fraquezas, medos, capazes de trair, mas que têm plena confiança em Cristo. E Jesus confia neles. Pedro deve repetir por três vezes o seu amor. Paulo repete infinitas vezes que ele, perseguidor, tornou-se apóstolo somente pela graça.
Falando de Pedro e Paulo, podemos falar da grandeza e santidade que eles representam, mas podemos também falar das suas fraquezas e dos seus pecados, e aí, descobrimos que é a mesma coisa, porque é exatamente a bondade e a misericórdia do Senhor que muda o coração deles e os transforma até se tornarem de pecadores a grandes santos e a transformar suas vidas num amor humilde e apaixonado pelo Senhor Jesus. Pedro demonstrou várias vezes o seu caráter, a sua fraqueza, o seu cansaço para entender o coração de Jesus. Lembremo-nos quando Jesus lhe diz: “afasta-te de mim, Satanás!”; ou quando caminhando sobre as águas, duvida e Jesus lhe diz: “homem de pouca fé!” Mas, sobretudo é humano e fraco no momento da paixão de Jesus. Ele que tinha afirmado: “mesmo que todos os outros te abandonem, eu jamais te abandonarei”, o que pouco depois cai por terra quando constatamos a sua fraqueza quando ele nega por três vezes a Jesus, jurando nunca tê-lo visto. Entretanto, é esta pobreza de Pedro que encontra o olhar misericordioso de Jesus e por ele se deixa curar. Depois da ressurreição, às perguntas repetidas de Jesus se o ama, ele responde: “sim, Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo, tu sabes como te amo”. E a sua vida, mesmo em meio às dificuldades e fraquezas, será sempre a demonstração deste amor apaixonado pelo seu Senhor, até a prisão, às viagens, e, finalmente, ao martírio.
Também Paulo, fariseu convicto, fanático, perseguidor ferrenho dos cristãos, colaborador do martírio de Estevão, é alcançado por Jesus que transforma o seu coração, gastando toda a sua vida numa missão contínua dirigida aos vários povos que ele pôde alcançar. Até o momento no qual pode afirmar: “combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Não me resta outra coisa senão esperar a coroa da justiça que o Senhor, o justo juiz, preparou para mim. O Senhor veio em meu auxílio e me deu forças” (II leitura).
Homens frágeis, pecadores, transformados pela misericórdia do Senhor e pela força do seu Espírito. Deram a vida pelo Senhor e estabeleceram as bases da comunidade cristã, a Igreja, destinada a se espalhar em todo o mundo. Aquela de Pedro e Paulo é a nossa humanidade resgatada; também nós não devemos nunca ficar desencorajados diante das nossas fraquezas, de nossas dúvidas, de nossa falta de fé, mas sempre renovar o nosso amor ao Senhor.
Dois apóstolos diferentes, ambos colunas fundamentais da Igreja, garantindo a unidade desta. Pedro recebe o carisma, isto é, o dom e a tarefa, de ser referência para a unidade e a comunhão entre os que acreditam em Cristo, através do serviço à verdade. Pedro é a pedra sobre a qual Cristo quis edificar a sua Igreja, a sua comunidade e a ele confia as chaves do Reino. Paulo recebeu a tarefa de difundir a palavra de verdade, o Evangelho, até os confins da terra, por isso, é chamado o Apóstolo das nações, pregando e fundando comunidades cristãs, pregando Cristo.
São santos que encontram no Papa o continuador e o testemunho da missão de Cristo que continua em meio a nós. No Papa, encontra-se a autoridade de Pedro, chefe visível da Igreja e centro de unidade, e no Papa, encontramos o ardor missionário de Paulo, basta lembramos os belos momentos de sua recente viagem ao Brasil.
A festa de hoje nos ajuda a renovar e a refundir a nossa fé. A fé cristã católica não é simplesmente uma fé em Deus ou em Cristo, mas é fé na Igreja. Dizemos no Credo: “Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica”. É na Igreja que nós podemos ter uma relação autêntica com Cristo, único salvador e com Deus, o Pai, que Cristo nos revelou.
Este domingo nos chama a sermos presença ativa, assumindo a nossa responsabilidade na Igreja, para que sejamos sempre mais “comunhão” no interior dela e sejamos sempre mais “missão” no mundo de hoje. Hoje é um dia que nos faz sentir-nos honrados em colaborar com o Santo Padre na caridade e no empenho para com tantos famintos de pão e de Deus, aos quais devemos chegar como um sinal concreto de um Deus que é amor e providência para todos os seus filhos.

SOLENIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA - SEM COMENTÁRIO AINDA

XI DOMINGO COMUM - NÃO POSTADA

quinta-feira, 7 de junho de 2007

X DOMINGO COMUM: O DEUS DOS FRACOS


Lc 7,11-17

Em qualquer lugar do mundo vamos encontrar pessoas sofridas e menosprezadas, que como dizia Madre Teresa de Calcutá, são “os pobres entre os pobres”. É a uma pessoa como esta, a saber, a uma viúva da cidade de Naim, que no Evangelho de hoje, Jesus demonstra compaixão, atenção e seu amor pelos mais fracos, levando-lhes o Evangelho da vida.
Que situação a daquela viúva! Ela se encontra num grande sofrimento, pois além de ser viúva, perde o único filho que tem. Isso sem contar a situação de necessidade pela qual ela está passando. De fato, na terra de Jesus, as viúvas e os órfãos eram conhecidos como os “fracos” por definição do ponto de vista social, e, freqüentemente, era lembrado o dever de tratá-los com atenção. Pois era o marido quem garantia a estabilidade da mulher na sociedade e era responsável por todo o seu sustento. Se ele morresse, o filho mais velho tinha o dever de arranjar uma forma de sustentar a mãe. Portanto, a mulher que Jesus encontra tinha perdido não só o seu único filho, mas também a sua única fonte de sobrevivência. Agora, ela não tinha proteção alguma e dependia da boa vontade dos seus vizinhos.
Interessante neste texto, é que diferentemente de outros relatos de milagres, ninguém pede a ajuda a Jesus. E é até óbvio já que não existe cura para a morte. Assim, Jesus age de livre e espontânea vontade. Diante da necessidade daquela mulher, ele não se mostra impotente nem indiferente, mas sente compaixão. A necessidade dela o comove. Para ele, aquela viúva não é uma anciã que não conta nada, que deve sofrer um destino semelhante ao de tantas mulheres e que deve suportá-lo. Não! Ele se dirige a ela de um modo todo particular. Não há diante de si um caso como tantos, mas uma pessoa, e na sua misericórdia, reconhece a realidade da sua dor, dizendo-lhe: “Não chore!” Palavras que pronunciadas por qualquer outra pessoa poderiam soar como uma gozação. Jesus ajuda concretamente. Nem a morte impede a sua ação. Ele chama de volta à vida o filho da viúva (“Jovem, eu te ordeno, levanta-te!); e, depois disso, “o entregou à sua mãe”, eliminando assim aquela situação de transtorno.
Como podemos perceber, Jesus não foi constrangido a fazer nada com relação ao filho da viúva nem ficou triste porque este morreu tão jovem. A sua compaixão é para com a viúva. O jovem não foi reanimado porque Jesus teve pena dele, mas porque ele teve compaixão da viúva, para que o filho a sustentasse.
Com isso, fica claro que o sentido da nossa vida não reside no fato de vivermos para nós mesmos, mas em vivermos uns para os outros e assim tornarmos recíproca a vida. Por meio do gesto de Jesus, mãe e filho, separados pela morte, agora estão novamente unidos numa comunidade de amor.
Quantas pessoas se encontram numa situação semelhante à daquela mulher? A que serve, então, o gesto de Jesus em favor da viúva de Naim para aquele povo e para nós hoje? Com certeza, ficaram maravilhados porque “Deus veio visitar o seu povo”.
O gesto misericordioso de Jesus deve servir também de estímulo para nós a fim de nos ajudar a viver o amor ao próximo. O modo como Jesus trata a viúva, levando a sério a sua situação, dirigindo-se a ela e ajudando-a, mostra a sua atitude, nos permite penetrar no seu coração. E do momento em que no seu gesto concreto se encontra a misericórdia de Deus, é nos manifestado o modo de se comportar de Deus. Jesus tem um coração bondoso e pronto para agir. O seu gesto mostra o que realmente ele considera importante. Ele não apresenta regras ou programas. Não conquista reinos, nem cria uma nova ordem social. Ele se dirige ao homem que sofre, se preocupando com a sua necessidade pessoal e o ajuda.
Assim, a mensagem deste Evangelho não é a de que cada pessoa necessitada receba uma ajuda da mesma maneira como Jesus ajudou a viúva, mas que a cada necessitado seja dirigido do mesmo modo o coração de Jesus e o amor de Deus. E essa é tarefa nossa. O relato da viúva de Naim evoca o povo que perde a sua esperança quando perde o Messias pregado na cruz, e o reencontra na ressurreição. Nós também somos convidados vivamente a acreditarmos no amor que Jesus nutre por nós e que nos dá vida a ponto de nos estimular a oferecermos o nosso amor principalmente àquelas pessoas que são paupérrimas do amor de Deus. Que sejamos instrumentos do amor de Deus para elas.