sexta-feira, 4 de maio de 2007

V DOMINGO DA PÁSCOA

A novidade do mandamento de Jesus: amar “como” ele amou
O contexto do Evangelho deste V Domingo da Páscoa é aquele da Última Ceia. Depois que Jesus anuncia a traição de Judas, este deixa o cenáculo, e, daí em diante segue-se à prisão, à condenação e à morte de Jesus. Depois disso, Judas se perde numa grande escuridão a ponto de não achar saída, ele agora serve ao mundo das trevas, e se desespera. Jesus, por sua vez, começa a falar de glorificação, de revelação no esplendor da luz. É da morte, pela qual deveria ser destruído, que ele ressurge como luz para o mundo.
Esta luz irradia a hora da despedida, momento difícil para os discípulos. Somente aqui Jesus se dirige a eles com o diminutivo: “filhinhos”, uma expressão de amor, cuidado. Até aquele momento, Jesus está com seus discípulos e os protege. Agora, ele deve morrer. Os discípulos não o seguirão na sua morte nem na sua glória; por isso, Jesus os prepara para este período de separação: “por pouco tempo ainda estou convosco”.
Com o mandamento: “amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”, Jesus mostra aos discípulos o modo como ele continuará a estar presente no meio deles e determina como devem se comportar. Estes devem se orientar pelo amor que receberam de Jesus, e este amor em cada um deve representar para o outro o próprio amor de Jesus, aceitando o outro como ele é, ajudando-o, prestando atenção as suas necessidades, exatamente como fazia Jesus.
A palavra que freqüentemente aparece nas leituras bíblicas deste domingo e que constitui o ponto determinante do mandamento de Jesus é o adjetivo “novo”. João diz: “vi um novo céu e uma nova terra... a nova Jerusalém”; o próprio Deus diz: “Eis que eu faço novas todas as coisas”; finalmente, Jesus diz: “vos dou um novo mandamento”.
Mas, enfim, em que consiste a novidade deste mandamento, se este era conhecido desde o AT e por que Jesus o declara como “seu”: Porque só agora, com ele, este mandamento torna-se possível. Antes, as pessoas se amavam porque eram parentes, aliadas, amigas, membros de uma mesma tribo, isto é, se amavam por alguma coisa que as unia entre si, separando-as de outras pessoas. Agora, é necessário ir mais além: amar quem nos persegue, amar os inimigos, aqueles que não nos amam. Amar o irmão por ele mesmo e não por aquilo que ele pode me oferecer. É a palavra “próximo” que muda de conteúdo; esta compreende não somente quem está perto, mas qualquer pessoa, a qual, devemos torná-la próxima.
O mandamento de Cristo é novo pelo seu conteúdo, e mais ainda pela sua possibilidade. Jesus viveu o amor até as últimas conseqüências: até o ponto de nos perdoar e morrer por nós. Amando-nos, Jesus nos redimiu: tornou-nos filhos do mesmo Pai e irmãos, pelo qual devemos e podemos nos amar.
Há um motivo pelo qual cada um de nós, qualquer que seja a sua situação, pode e deve ser amado: o motivo é que somos amados por Deus e ele quer nos salvar. O motivo não é o da aparência: beleza, simpatia, juventude, mas a realidade “nova” criada por Cristo. Por essa razão, este amor novo encontra a sua manifestação mais autêntica não no cumprimentar quem nos cumprimenta, nem no convidar quem nos convida, mas no amar quem tem menos motivos para ser amado: o excluído, e principalmente, o inimigo, porque neste caso é claro que não se ama o irmão por aquilo que ele tem ou pode nos dar, mas somente por aquilo que ele é aos olhos da fé.O mandamento de Cristo é “novo” porque renova, é capaz de mudar a face da terra, de transformar as relações humanas. E como o mundo tem necessidade deste amor? Nos vários problemas que assolam o mundo em que vivemos é natural ficar se lamentando, apontando o dedo sobre qualquer forma de ódio, violência e maldade. Mas isto não serve para nada, apenas para continuarmos no mesmo lugar onde estamos. Acredito firmemente que cada um de nós pode viver e oferecer a este nosso mundo um pouco de amor, gestos de amor, de justiça, de verdade, de paz: se nos unirmos a tantos outros podemos contribuir para a transformação de tantas coisas. Lembremo-nos que seremos conhecidos como discípulos de Jesus pelo nosso amor para com o próximo e a medida deste amor é o modo como ele amou.

Nenhum comentário: