sexta-feira, 25 de maio de 2007

PENTECOSTES


O Espírito Santo nos manda continuamente em missão
A festa judaica de Pentecostes (grego = 50º dia) ou Shavuot (hebraico = sete semanas) era celebrada cinqüenta dias após a Páscoa, quando se agradecia a Deus pela colheita do trigo (Ex 23,16). Desta festa agrícola, a festa de Pentecostes foi pouco a pouco se transformando numa festa histórica: um grande memorial da aliança de Deus com o seu povo. Hoje, nós celebramos a solenidade de Pentecostes, que no cristianismo, diz respeito à descida do Espírito Santo sobre os discípulos e Maria no cenáculo, cinqüenta dias depois do domingo da Páscoa. Celebramos o início da missão da Igreja, que é enviada a levar em todos os tempos e lugares, o Evangelho e a graça da salvação em Jesus Cristo, e, por isso, forte e corajosa pela ação do Espírito Santo.
É o Espírito Santo quem faz a Igreja caminhar, renovando-a e transformando-a. É o Espírito Santo quem abre o nosso coração de cristão, purificando-o, curando-o e reconciliando-o, de modo que este supere as barreiras e nos leve à comunhão. É o Espírito de unidade na pluralidade de carismas e de culturas, tal como vimos no acontecimento de Pentecostes (I leitura). Paulo atribui claramente ao Espírito Santo a capacidade de tornar a Igreja una e multíplice na pluralidade de dons, ministérios e atividades (II leitura).
Desta forma, a Igreja tem diante de si o desafio permanente de ser católica e missionária, de passar de Babel a Pentecostes, como nos lembrou bem o Papa Bento XVI em sua viagem ao Brasil: “O Ecumenismo, ou seja, a busca da unidade dos cristãos torna-se nesse nosso tempo, no qual se verifica o encontro das culturas e o desafio do secularismo, uma tarefa sempre mais urgente da Igreja católica... é indispensável uma boa formação histórica e doutrinal, que habilite ao necessário discernimento e ajude a entender a identidade específica de cada uma das comunidades, os elementos que dividem e aqueles que ajudam no caminho de construção da unidade”.
Cada um de nós recebeu do Espírito Santo dons e capacidades que devemos desenvolvê-los, multiplicá-los; não por um ponto de vista material: para realizar uma carreira ou interesses pessoais, para nos sentirmos mais inteligentes ou mais importantes do que os outros. Não! Isto seria um grande pecado. Pelo contrário, qualquer coisa que façamos só consegue o seu devido valor e a sua plenitude quando é vivida e desenvolvida para o bem do outro, seja a nível espiritual seja material. E é na parábola dos talentos que Jesus nos faz compreender que o verdadeiro e justo desenvolvimento dos talentos encontra seu sentido no amor ao próximo.
A este ponto, poderíamos nos perguntar: concluindo esta semana de oração pela unidade dos cristãos, temos consciência de que a nossa vida é cheia de dons de Deus? Como usamos estes dons? Só para nós mesmos, para a nossa pastoral específica, para o nosso grupo, ou sabemos dispô-los aos outros? Com nossas atitudes, procuramos unir ou desunir? A festa de Pentecostes nos dá esta força do Espírito Santo que renova a nossa fé, o nosso fervor, o nosso empenho pela missão da Igreja de unir os cristãos: “Que todos sejam um”.
A II leitura da missa da vigília diz: “temos os primeiros frutos do Espírito”. E como sabemos por Gl 5,22, os frutos do Espírito Santo são: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, lealdade, mansidão e domínio próprio.
Assim, temos presente em nós os frutos do Espírito Santo quando amamos o próximo, com um amor desinteressado como o de Jesus; quando amamos e tratamos bem os nossos irmãos de outras igrejas: Jesus amava os samaritanos, povo de uma religião diferente do judaísmo.
Temos o Espírito Santo em nós quando experimentamos a alegria constante que vem de Deus, quando sentimos a sua paz, diferente da do mundo, já que resiste aos momentos difíceis; quando sabemos dominar nossos impulsos, quando lutamos para aceitar as limitações do próximo e aceitamos as nossas; quando sentimos a vontade de fazer o bem, sendo compreensivos, abertos, generosos e lutamos contra nossa dureza, mesquinhez, egoísmo; quando estamos prontos a perdoar, a vencer o mal com o bem, afastando de nós a inveja e a vingança; quando somos fiéis a Deus, ao próximo, ao Evangelho e à Igreja; quando sabemos controlar nossas palavras, as atitudes externas, o cuidado para não ferir, para não violentar a liberdade do outro; quando sabemos dominar os instintos, os pensamentos, os atos e as palavras, desviando-as do mal.
Quando constatamos estes frutos na nossa vida ou pelo menos se temos o desejo ardente de conseguir desenvolvê-los, mesmo que isso seja uma luta, já é um sinal de que o Espírito Santo está agindo em nós.
Se não conseguimos muito, não desanimemos! Imploremos a Ele seus dons e seus frutos, e se não soubermos como pedir, lembremo-nos que é “o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis”.

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