quarta-feira, 16 de maio de 2007

ASCENSÃO DO SENHOR


A ÚLTIMA PALAVRA DE JESUS: UMA BÊNÇÃO!
Jesus morreu de modo desumano numa cruz. Parecia até que os seus inimigos tinham razão quando diziam que sua obra tinha fracassado. Até mesmo os seus discípulos ficaram um pouco confusos e decepcionados (discípulos de Emaús). Entretanto, o próprio Jesus Ressuscitado convence os seus discípulos de estar vivo. Ele aparece a muitos deles, cancelando-lhes toda espécie de dúvida quanto a sua ressurreição (Tomé). Seguindo esta trajetória, no domingo passado, Jesus lhes falava: “Vou, mas voltarei a vós”; “se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai...”
Hoje, o Evangelho fala que a estes discípulos, Jesus promete o Espírito Santo para a compreensão das Escrituras, já que eles não têm capacidade de compreendê-las a não ser por um precioso dom do Ressuscitado: o cumprimento delas. Jesus promete revestir seus discípulos com o poder do alto, lhes mandará o Espírito Santo, que os tornará capazes de anunciar com convicção e coragem a sua obra e a sua ressurreição.
Jesus ressuscitado é a chave para toda e qualquer interpretação das Escrituras. É o plano de salvação que deve ser anunciado a todos os povos para a conversão e o perdão dos pecados. Os discípulos devem começar esta pregação em Jerusalém, lugar onde se realizou a missão de Jesus: “permanecei na cidade”.
Depois de ter convencido os discípulos de diversos modos da sua ressurreição e de tê-los preparado e capacitado para a missão, Jesus os conduz para perto de Betânia e se despede deles com as mãos levantadas, abençoando-os. Concede a eles toda a força da sua bênção, o que os sustentará durante a vida deles. Também Deus quando terminou a criação, abençoou o sétimo dia. Isaac e Jacó, despedindo-se, abençoaram a sua descendência. Também na nossa região vemos este costume judaico de pedir a bênção aos pais quando nos despedimos deles. A bênção final da missa também apresenta este significado: quer conservar-nos na vida e na salvação durante todos os momentos do nosso dia-a-dia. Jesus não fica no altar, mas ele segue dentro de cada um de nós.
Finalmente, depois de toda esta caminhada junto com os seus discípulos, Jesus foi levado para o céu: subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso; é o que professamos no Credo. O ato da ascensão constitui a glorificação de Jesus no instante mesmo da sua ressurreição. Não devemos entender a ascensão de Jesus como um vôo semelhante ao do Superman. Nem como os espíritos esbranquiçados que aparecem nas novelas da Globo e vão subindo lentamente até desaparecerem entre as nuvens, tal como a gente encontra na primeira leitura (Atos). A ascensão tem uma característica simbólica, é um sinal. O “Céu” não deve ser entendido aqui em sentido cosmológico, como a esfera sobre a terra, mas num sentido teológico, como o âmbito da presença de Deus. Já no momento da sua ressurreição, Jesus entrou na sua glória. A ascensão e o desaparecer diante dos discípulos são sinal de que as aparições terminaram. Por fim, Lucas conclui o seu Evangelho, dizendo que os discípulos louvavam continuamente a Deus no templo.
Para nós, hoje é dia de grande esperança: um homem com o seu corpo, não só volta à vida, mas chega àquela plenitude de vida divina e eterna que Deus tinha prometido desde a criação do mundo para cada um de nós.
Se somos cristãos autênticos, se tivermos tido a graça de conhecer com clareza e certeza o nosso fim, não é porque somos melhores do que os outros, o privilégio existe para uma missão. O mundo espera este anúncio, o qual nós devemos gritar com o nosso testemunho de vida. O futuro, a morte já não amedronta, porque Cristo nos disse: “eu vou preparar para vós um lugar”.
Deixemos de lado, então, essa influência do mundo virtual. E, ao invés, de gastarmos tempo procurando Jesus entre as nuvens do céu, vamos procurá-lo no nosso dia-a-dia. É lá onde Jesus habita hoje: em meio a este mundo conturbado. Jesus se encontra no rosto pobre e sofrido do irmão que tratamos mal e não o perdoamos. O Senhor nos diz que é possível construir aqui e agora o seu Reino. A ascensão marca o início da Igreja, o início de uma nova aventura, da qual somos os protagonistas.

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