quinta-feira, 19 de abril de 2007

III DOMINGO DA PÁSCOA

A PERGUNTA MAIS DIFÍCIL: VOCÊ ME AMA?
Neste III Domingo de Páscoa, gostaria de refletir sobre a pessoa de Pedro. Há algumas semanas atrás, o Evangelho nos relatava o primeiro encontro do pescador Simão Pedro com Jesus de Nazaré. Este pregava pra uma multidão; e, pra que todos pudessem vê-lo, tinha subido na barca de Pedro. Depois de dar seus ensinamentos, Jesus o recompensava com uma pesca inacreditável, tão grande que as redes se rompiam com tanto peixe. E nessa ocasião, Jesus lhe fazia uma proposta: “de agora em diante serás pescador de homens”.
Desde aquele instante, Pedro começa a seguir os passos de Jesus, dia após dia. Ele segue o Mestre e não perde a ocasião pra dizer a Jesus o quanto lhe quer bem, que o seguirá pra sempre, que por ele estaria disposto até mesmo a correr risco de vida. Quando Jesus é preso, Pedro o defende e o segue. Entretanto, mais adiante, quando o apóstolo é reconhecido por uma escrava como seguidor de Jesus; Pedro tem medo, tanto medo, que por três vezes nega Jesus, afirmando não conhecê-lo, nunca tê-lo visto, que não tem absolutamente nada a ver com ele.
Arrependido e envergonhado pela sua atitude, Pedro chora amargamente e segue o Mestre de longe durante toda a paixão. E está presente quando o corpo de Jesus morto é deposto no sepulcro. É a Pedro que Maria Madalena na manhã de Páscoa corre ansiosa para lhe contar que o túmulo do Senhor está vazio. Pedro corre junto com João ao sepulcro, mas é ele o primeiro a entrar e o primeiro a acreditar na Ressurreição do Senhor.
Pedro está presente quando o Senhor Jesus aparece aos discípulos por duas vezes (uma sem Tomé e outra com). Mas depois, o tempo passa e Pedro e os outros não sabem bem o que devem fazer: sem o Mestre para guiar os seus passos não sabem aonde ir, o que decidir, entram em crise de identidade, estão perdidos. Assim, Pedro decide voltar as suas barcas para pescar: tinha deixado tudo para seguir Jesus que o convidava a ser pescador de homens; mas agora, sem Jesus por perto, Pedro não sabe mais o que fazer e volta a sua vida como era antes de encontrar Jesus.
Também os outros discípulos como Tomé, Natanael e os filhos de Zebedeu voltam a pescar. E vejam só o que acontece! Não conseguem pescar nada. Nada mesmo! Parece que já vimos esta cena exatamente no relato da pesca milagrosa. Trabalham toda à noite, mas não pescam nada. De manhã, porém, quando estão voltando, percebem que tem alguém lhes esperando. Não o reconhecem, não conseguem reconhecê-lo nem mesmo quando ouvem a sua voz: “Moços, tendes alguma coisa para comer?”. Eles mostram as redes vazias e aquele homem sugere: “Lançai a rede à direita da barca e achareis”. Pedro e os outros fazem como o homem estranho diz e pescam muitos peixes. Pedro e João imediatamente se lembram daquela pesca milagrosa, e João exclama: “É o Senhor!” E Pedro fica tão emocionado e com tanta vontade de se encontrar com Jesus que se atira na água e percorre a nado o pedaço de lago que o separa do lugar onde se encontra Jesus. É o mesmo Pedro entusiasmado de sempre.
Enquanto isso, Jesus preparava brasa na praia para assar os peixes e comer com os discípulos, os quais se encontram muito calados, sem fazer perguntas ao Mestre. Para que não haja dúvidas, Jesus cumpre um gesto especial: “tomou o pão e distribuiu por eles”, recordando assim a última ceia.
Depois de ter comido, Jesus faz a Pedro uma pergunta: “Simão, filho de João, você me ama?” Por três vezes, Jesus faz essa pergunta e por três vezes Pedro responde confirmando o seu amor pelo Senhor, com força e desta vez com menos calma. Por três vezes também, ele tinha negado Jesus e agora por três vezes, repete: “Senhor, tu sabes que eu te amo”. Assim, Jesus lhe confere uma missão especial: “Apascenta as minhas ovelhas. Segue-me”. Pedro escuta este convite simples e definitivo do Senhor Jesus e lhe obedece. É um convite breve, mas diz muita coisa. É como se Jesus dissesse: Pedro, conte a todos aquilo que você viu e ouviu enquanto estava comigo, guie e encoraje os outros a fazerem o mesmo. Pedro obedece. Demonstra com a vida o seu amor pelo Senhor.
Nós não somos Pedro, mas gostaria de deixar essa pergunta: no silêncio do nosso coração, nos deixamos guiar pela pergunta de Jesus: Você me ama? Como podemos responder cada dia, com fé e alegria: “Senhor, tu sabes que eu te amo”?

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