quinta-feira, 8 de março de 2007

AINDA UMA CHANCE PARA DAR FRUTO!


Lc 13, 1-9 - III DOMINGO DA QUARESMA

Naquela mesma ocasião algumas pessoas chegaram e começaram a comentar com Jesus como Pilatos havia mandado matar vários galileus, no momento em que eles ofereciam sacrifícios a Deus. Então Jesus disse: - Vocês pensam que, se aqueles galileus foram mortos desse jeito, isso quer dizer que eles pecaram mais do que os outros galileus? De modo nenhum! Eu afirmo a vocês que, se não se arrependerem dos seus pecados, todos vocês vão morrer como eles morreram. E lembrem daqueles dezoito, do bairro de Siloé, que foram mortos quando a torre caiu em cima deles. Vocês pensam que eles eram piores do que os outros que moravam em Jerusalém? De modo nenhum! Eu afirmo a vocês que, se não se arrependerem dos seus pecados, todos vocês vão morrer como eles morreram. Então Jesus contou esta parábola: - Certo homem tinha uma figueira na sua plantação de uvas. E, quando foi procurar figos, não encontrou nenhum. Aí disse ao homem que tomava conta da plantação: "Olhe! Já faz três anos seguidos que venho buscar figos nesta figueira e não encontro nenhum. Corte esta figueira! Por que deixá-la continuar tirando a força da terra sem produzir nada?" Mas o empregado respondeu: "Patrão, deixe a figueira ficar mais este ano. Eu vou afofar a terra em volta dela e pôr bastante adubo. Se no ano que vem ela der figos, muito bem. Se não der, então mande cortá-la."
O Evangelho deste domingo nos faz lembrar as notícias que diariamente chegam até nós através dos jornais: pessoas mortas por causa da violência como a menina de 12 anos, vítima de uma bala perdida num morro do Rio de Janeiro nesta segunda-feira; pessoas mortas por causa de alguma desgraça, como as 23 que morreram no acidente aéreo ocorrido na Indonésia nesta quarta-feira.
Por que tudo isso acontece? O que vem a nossa cabeça quando escutamos estas notícias? Ficamos chocados com o fato de que tudo isso possa acontecer? Começamos a ter mais cuidado com a nossa vida? Ficamos contentes que não tenhamos sido nós as vítimas? Ou estas coisas já não chamam mais a nossa atenção porque já nos acostumamos com notícias deste tipo?
No texto evangélico, lemos que algumas pessoas vão até Jesus para dar a notícia dos galileus mortos por Pilatos, enquanto ofereciam seus sacrifícios. O massacre deve ter acontecido no templo de Jerusalém, porque só ali era costume a prática de ofertar animais em sacrifício. Não nos é claro porque as pessoas contem a Jesus este acontecido nem muito menos se esperam dele alguma reação. Provavelmente, transmitem a notícia assim como nós também temos o costume de fazer com as más notícias que chegam aos nossos ouvidos. O interessante é que Jesus aproveita esta situação para passar a sua mensagem de conversão, de mudança de mentalidade. Ele diz a estas pessoas que não devem chegar a falsas conclusões e ainda diz o que elas devem fazer.
Segundo a mentalidade do tempo, baseada na doutrina da retribuição, qualquer desgraça era castigo divino devido a um pecado: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais para que nascesse cego?” (Jo 9,2). Assim, pela morte dos galileus, chegava-se à conclusão de que estes eram pecadores e por isso, tinham sido castigados. E mais, que os outros que não tinham sido assassinados, não eram culpados, e, por isso, poderiam se sentir seguros e levar a vida como bem entendessem.
No entanto, Jesus se opõe radicalmente a este modo de pensar e sublinha com força que todos devem se converter. Todos são culpados, todos têm uma relação equivocada com Deus, todos estão no caminho errado, todos devem mudar de vida para serem aprovados pelo juízo de Deus.
Para facilitar ainda mais a compreensão daquilo que quer transmitir, Jesus acrescenta outro caso, no qual dezoito homens foram mortos em Jerusalém na queda da torre de Siloé. Neste segundo caso, ele se dirige aos habitantes de Jerusalém, ou seja, o que ele adverte vale para todos, sem exceção, todos precisam se converter.
Jesus quer abolir a idéia de que Deus existe para castigar. “Se não vos convertedes, ireis morrer todos do mesmo modo”. As tragédias humanas são um convite à aceitação do projeto libertador iniciado por Jesus Cristo. Rejeitar este projeto é rejeitar a vida. Para aceitar este projeto, é necessária uma mudança de mentalidade. Se nós não aceitamos este convite de Jesus, seremos construtores da nossa própria desgraça.
A parábola da figueira que não dá frutos é uma parábola muito interessante. Com ela, Jesus confirma seu pensamento. A figueira é uma das plantas mais comuns e generosas da Palestina. Geralmente, dá boa sombra e produz frutos durante dez meses por ano. A figueira representa o povo de Israel e não só. Representa todos os que ouvem a Palavra de Deus. Jesus é o Agricultor. Ele plantou a figueira e espera a abundância dos frutos. Não encontrando frutos, o patrão emite uma dura sentença: já que Israel é uma figueira ociosa, não faz sentido que continue a viver. Talvez Lucas estivesse pensando na rejeição do Evangelho praticado pelos chefes religiosos daquele tempo.
No entanto, a grande novidade acontece pela ação do agricultor: ele aduba o terreno: sinal de uma dedicação especial. Os camponeses sabiam que a figueira não tinha necessidade de adubo. Mas, Jesus vai além das expectativas. Aposta no ser humano até onde possa parecer absurdo. Esta é a solidariedade de Deus.Freqüentemente, esquecemos o trabalho do Agricultor. Exigimos bons frutos das pessoas como se fôssemos os mais perfeitos em fazer boas obras. O adubo da paciência, ensinado a nós pelo agricultor é a oportunidade que cada pessoa deveria merecer. Jesus nos ensina que a misericórdia divina não conhece limites: pode ser que o próximo ano produza! Uma planta comum se torna para nós símbolo de conversão. Mas, sem a nossa cooperação, tornamos estéril a solidariedade divina. O nosso agricultor espera de nós bons frutos. E estes frutos não são um imposto que devemos pagar pelo direito de existir, mas são a nossa própria realização pessoal, que dá sentido a nossa vida. Portanto, vamos parar de justificar as desgraças alheias com atitudes orgulhosas para demonstrar a nossa superioridade ou presumida boa consciência. Todos nós precisamos de conversão. À figueira sempre é dada uma nova chance: não temos tempo a perder. O momento é agora. É muito triste olhar pra trás e constatar que temos sido uma figueira que não soube produzir frutos. Se for o caso, é agora o momento de arregaçar as mangas e crer firmemente na paciência do Agricultor.

2 comentários:

F. Dantas disse...

Pe. Carlos, meus parabéns, mais uma vez, por teu comentário. Sem dúvidas, há muito o que se fazer e, ao invés de reclamarmos infinitamente, é necessário arregaçar as mangas e por a mão na terra. O tempo é agora, como o Sr. bem disse. Obrigado mais uma vez e que Deus continue iluminando esse teu belíssimo trabalho.

Anônimo disse...

Pe. Carlos. Parabéns por sua reflexão. Que o Espirito Santo continue lhe inpirando.
Pe. Aires - MA,