sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

DIANTE DE QUEM ME PROSTO?


Lc 4, 1-13 - I Domingo de Quaresma

Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do rio Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto. Ali ele foi tentado pelo Diabo durante quarenta dias. Nesse tempo todo ele não comeu nada e depois sentiu fome. Então o Diabo lhe disse: - Se você é o Filho de Deus, mande que esta pedra vire pão. Jesus respondeu: - As Escrituras Sagradas afirmam que o ser humano não vive só de pão. Aí o Diabo levou Jesus para o alto, mostrou-lhe num instante todos os reinos do mundo e disse: - Eu lhe darei todo este poder e toda esta riqueza, pois tudo isto me foi dado, e posso dar a quem eu quiser. Isto tudo será seu se você se ajoelhar diante de mim e me adorar. Jesus respondeu: - As Escrituras Sagradas afirmam: "Adore o Senhor, seu Deus, e sirva somente a ele." Depois o Diabo o levou a Jerusalém e o colocou na parte mais alta do Templo e disse: - Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui, pois as Escrituras Sagradas afirmam: "Deus mandará que os seus anjos cuidem de você. Eles vão segurá-lo com as suas mãos, para que nem mesmo os seus pés sejam feridos nas pedras." Então Jesus respondeu: - As Escrituras Sagradas afirmam: "Não ponha à prova o Senhor, seu Deus." Quando o Diabo acabou de tentar Jesus de todas as maneiras, foi embora por algum tempo.

No Evangelho deste I domingo da Quaresma, vemos qual é a relação de Jesus com o diabo, o qual representa o afastamento e a oposição a Deus. Por outro lado, vemos também a relação de Jesus com Deus. Também nas tentações aparece esta relação que é confirmada através da rejeição àquele que se encontra em oposição radical com Deus. É justamente aqui que aparece a firmeza e a certeza da relação de Jesus com Deus, já que neste confronto se revela de uma vez por todas que Jesus está da parte de Deus.
A tentação, o peso, a prova, estão presentes e é necessário tomar posição e fazer uma decisão. A maneira na qual se comporta Jesus mostra sua relação com Deus. Ele responde de modo tranqüilo, seguro. Demonstra com absoluta clareza o que é válido. No seu comportamento, não se pode notar nenhum medo, nenhuma impaciência e nenhum conflito interior. No confronto não há luta, batalha. A cada proposta do tentador, Jesus dá o seu ponto de vista. Assim, ele demonstra a certeza e a clareza de sua relação com o Pai. Tudo aquilo que o Pai havia dito dele é confirmado aqui pelo seu comportamento. Quanto a nós, devemos nos orientar através da clareza e da decisão de Jesus. Não podemos nos enganar, pensando que estamos livres de uma luta cansativa com o tentador. Porém, hoje recebemos esta boa notícia: existe alguém que permanece fiel a Deus. Mesmo que não resistamos à prova e caiamos freqüentemente, só o fato de que há alguém que permanece firme e fiel a Deus nos deve infundir alegria e coragem.
As tentações não foram para Jesus um jogo de ficção, foram verdadeiras provas, como existem para o cristão e para a Igreja. E justamente por ter sido verdadeiramente provado, Jesus é exemplo e pode vir em ajuda a quem está na prova.
Jesus realmente lutou contra satanás sobre a escolha de possíveis métodos e caminhos para realizar sua missão de Messias. As três tentações são uma síntese significativa de um longo período de luta contra o mal, sustentada por Jesus nos 40 dias de deserto e durante toda a sua vida, compreendida a cruz. As tentações representam modelos diferentes de Messias, e, portanto, para nós também de missão. Para Jesus as tentações eram três saídas para não passar pela cruz. Uma relacionada com as coisas materiais, outra com as pessoas e outra com Deus mesmo.
A primeira começa com a fome de Jesus. O tentador o convida a usar o poder para eliminar a sua fome. Na fome, o que está em jogo é a vida. Para viver, o homem precisa de pão, de alimento. O que deve fazer o homem com a sua vida? Jesus responde, dizendo que o homem não vive somente de pão. Ele tem uma vida que é superior àquela que depende do pão. Uma vida que consiste na sua ligação incondicional e cheia de confiança em Deus. A busca de Deus e a confiança no seu poder devem ter o primeiro lugar na nossa vida e nunca devem ser substituídos por uma vida garantida pelo pão. Assim, a primeira tentação é a de aceitar o pão como fonte da vida.
A segunda tentação não se dirige ao homem que luta para ter o mínimo necessário para sobreviver, mas ao homem que mira além da própria pessoa humana e aspira ao domínio do mundo. Aqui entra em jogo o fascínio do poder, do domínio. Mas, Jesus responde que há um só Deus. A busca exclusiva do poder não combina com o reconhecimento da senhoria de Deus. Jesus reconhece a autoridade no âmbito humano: porém, que não deve ser exercitada como domínio sobre os outros, mas vivida como serviço.
Finalmente, a terceira tentação é a de um Messias mirabolante: atira-te daqui abaixo! Um gesto que teria assegurado fama e espetáculo. Porém, Jesus não tem necessidade de uma prova de que Deus o ama, ele confia no Pai.Jesus supera as tentações: escolhe respeitar o senhorio de Deus, confia no Pai e no seu plano salvífico pelo mundo. Renuncia instrumentalizar egoisticamente as coisas materiais para o próprio proveito (não muda as pedras em pão para si; mais tarde multiplicará para a multidão faminta); rejeita dominar as pessoas e prefere servir: mantém sempre uma relação filial com Deus, confiando na sua fidelidade. Aceita a cruz por amor e morre perdoando: somente assim, quebra o espiral da violência e tira da morte o seu veneno. Enfim, vale lembrar que Jesus supera as tentações porque está cheio da força do Espírito Santo. Nós também somos convidados a pedir auxílio ao Espírito Santo para que nos ajude a vencer as tentações, pois o tentador sempre está prestes a retornar no momento oportuno.

2 comentários:

Micheline de Azevedo Macedo disse...

Padre Carlos, venho aqui não apenas comentar, mas primeiramente agradecer. Muito obrigada pelas palavras escritas neste blog, pelo seu sim na vocação de sacerdote e evangelizador. Suas palavras, indubitavelmente ungidas pelo Espiríto Santo, traz uma paz espitritual a todos que acessam este blog. A Igreja Católica precisa de sacerdotes que levem a Palavra Sagrada em todos os cantos, que não tenham medo de evangelizar. Parabéns!

Rodolfo Neto disse...

Sem dúvida que merece elogios pelo seu interesse, presteza e senso de responsabilidade cristã, demonstrados na manutenção de sua coluna, do seu blog nesse site parelhas.com.
Faz bem essa leitura cheia de bons pensamentos, da presença da palavra de Deus, da paz entre os homens. Aliás, da não violência.
Também, vejo como oportuno agradecer a oportunidade de ler o depoimento da amiga Micheline, tão cheia de fé.
Continue firme em sua missão de evangelizar através desse meio revolucionário: a internet.