terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

DESARME O INIMIGO!

VII DOMINGO COMUM - Lc 6, 27-38

- Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo: amem os seus inimigos e façam o bem para os que odeiam vocês. Desejem o bem para aqueles que os amaldiçoam e orem em favor daqueles que maltratam vocês. Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também. Se alguém tomar a sua capa, deixe que leve a túnica também. Dê sempre a qualquer um que lhe pedir alguma coisa; e, quando alguém tirar o que é seu, não peça de volta. Façam aos outros a mesma coisa que querem que eles façam a vocês. - Se vocês amam somente aqueles que os amam, o que é que estão fazendo de mais? Até as pessoas de má fama amam as pessoas que as amam. E, se vocês fazem o bem somente para aqueles que lhes fazem o bem, o que é que estão fazendo de mais? Até as pessoas de má fama fazem isso. E, se vocês emprestam somente para aqueles que vocês acham que vão lhes pagar, o que é que estão fazendo de mais? Até as pessoas de má fama emprestam aos que têm má fama, para receber de volta o que emprestaram. Façam o contrário: amem os seus inimigos e façam o bem para eles. Emprestem e não esperem receber de volta o que emprestaram e assim vocês terão uma grande recompensa e serão filhos do Deus Altíssimo. Façam isso porque ele é bom também para os ingratos e maus. Tenham misericórdia dos outros, assim como o Pai de vocês tem misericórdia de vocês. - Não julguem os outros, e Deus não julgará vocês. Não condenem os outros, e Deus não condenará vocês. Perdoem os outros, e Deus perdoará vocês. Dêem aos outros, e Deus dará a vocês. Ele será generoso, e as bênçãos que ele lhes dará serão tantas, que vocês não poderão segurá-las nas suas mãos. A mesma medida que vocês usarem para medir os outros Deus usará para medir vocês.
No domingo passado, Jesus nos dizia: “Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome por causa do Filho do homem! Alegrai-vos e exultai, pois será grande a vossa recompensa no céu” (Lc 6,22-23).
Muitas pessoas arruínam suas vidas e sua saúde com o veneno da amargura, do ressentimento e da falta de perdão. O fato de não perdoarmos aqueles que nos ofenderam nos custa uma vida de tortura, pois como é atormentador cultivar pensamentos hostis dentro de nós com relação a alguém. Entretanto, normalmente, fazemos muita resistência em deixar pra trás o mal que alguém nos causou, e até nutrimos sentimentos de vingança.
Hoje, Jesus, como freqüentemente faz, pede que mudemos radicalmente o nosso modo de pensar e de viver: “Amai os vossos inimigos...”. Mas, como é possível amar os inimigos? Para Deus, tudo é possível! E a boa notícia de hoje é que Deus nos torna capazes de acolher e amar a quem nos fere e nos faz o mal. Precisamos nos lembrar que Jesus foi o primeiro a dar o exemplo quando perdoou aqueles que o crucificaram, intercedendo ao Pai por eles: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”.
Mas, como é difícil perdoar! E se ainda não conseguimos fazê-lo, primeiramente, temos que ter consciência que quando perdoamos a quem nos tem ofendido, estamos ajudando a nós mesmos, curando o nosso coração. Também ajudamos a pessoa que nos machucou a receber de Deus um coração novo.
Para perdoar, temos que decidir. Se ficarmos esperando sentir que Deus mude o nosso coração sem a nossa cooperação, não perdoaremos nunca. Temos que tomar uma decisão e Deus se encarregará de curar nossas emoções feridas a seu devido tempo. E perdoar não é esquecer, antes, é exatamente a lembrança da dor provada o que torna mais louvável a prática do perdão.
Depois, temos que contar com a ajuda do Espírito Santo. Se nós realmente queremos perdoar, com certeza, Deus nos tornará capazes de fazê-lo. Por fim, temos que obedecer a Palavra de Deus no que diz respeito a nossa relação com os inimigos. No Evangelho, Jesus contrapõe dois modos completamente opostos de comportamento: de um lado, ser inimigo, odiar, amaldiçoar, caluniar; de outro, amar, fazer o bem, abençoar e interceder. Devemos seguir o exemplo do Pai: “Sede misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso”. Devemos orar pelos nossos inimigos e aqueles que nos tratam mal.
Como é poderosa a oração de alguém que intercede por seus inimigos. Jó teve que orar pelos seus amigos que o haviam desapontado e Deus lhe deu em dobro. Quando oramos pelos que nos perseguem, ajudamos a estas pessoas a enxergarem suas faltas, e a amolecerem seu coração de pedra. Abençoar é falar bem e amaldiçoar é falar mal. Então, temos que parar de repetir várias vezes a ofensa cometida contra nós. Jesus nos diz que se alguém nos der uma bofetada numa face, devemos oferecer a outra. Ou seja, nunca devemos combater a violência com violência, mas vencer o mal com o bem. O que desejamos que os outros nos façam, devemos também fazer a eles, esta é a medida para o nosso comportamento com relação ao próximo.
E quem é o nosso inimigo? É o diferente, aquele que não tem os gostos iguais aos nossos nem o nosso modo de pensar, e, com o qual, acabamos sempre discutindo; é o adversário, aquele que critica tudo o que fazemos, que não nos perdoa; é o falso, o que se mostra amigo, nos mostra um sorriso, é cordial, mas, depois, nos apunhala pelas costas por causa de sua inveja; o perseguidor, aquele que sente prazer em nos humilhar e nos fazer sofrer com insinuações e com ciúmes desenfreados que não nos dão paz.
Enfim, quase sempre, são as pessoas mais próximas a nós, os nossos familiares e amigos, aqueles que sentimos serem nossos inimigos, aqueles que têm necessidade do nosso perdão (amai os vossos inimigos), da nossa oração (orai pelos que vos maltratam), da nossa bênção (abençoai aqueles que vos amaldiçoam). Jesus se opõe totalmente ao julgamento, à condenação, ao rancor e ao egoísmo.
O amor ao inimigo tem este objetivo: desarmá-lo, torná-lo novo, porque só o amor e o perdão renova e é capaz de transformar o homem numa obra nova. No fundo, cada um de nós é inimigo de alguém e somos os primeiros a precisar de um amor gratuito que nos renove. E nunca devemos esquecer que “com a mesma medida com que medirdes os outros, sereis medidos”. Portanto, quanto mais formos misericordiosos, mais Deus será misericordioso conosco.

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