quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

ESTAMOS A CAMINHO!

Domingo da Epifania

Celebramos a festa da Epifania: essa palavra estranha vem do grego e significa "manifestação". A manifestação acontece quando pessoas se reúnem para uma coisa importante e desejam que todos a conheçam e a vejam; pode ser uma manifestação de protesto, de solidariedade, ou mesmo uma apresentação artística. No que diz respeito a festa que a Igreja hoje celebra, estamos diante de uma manifestação de Deus. É a festa na qual Deus se manifesta a todos os povos. Ele quebra o vínculo com o povo de Israel para estendê-lo a toda a humanidade.
A manifestação de Deus em Jesus não é destinada a um grupo restrito de pessoas, mas inclui todo o mundo como mostra o texto evangélico. Nele, aparecem três grupos de pessoas e sua relação com o recém-nascido em Belém: os magos, Herodes e os doutores da Lei e os escribas.
O termo "mago" é muito vago, mas de certo modo, refere-se aos espertos na observação dos astros, eram astrólogos. Tinham conhecimento da espera messiânica pelos judeus e tendo recebido uma indicação do nascimento do Messias, põem-se a caminho. Conhecem a direção, mas não sabem exatamente o que os espera. Estão a caminho. Vêm do Oriente e enfrentam todos os incômodos de uma viagem cansativa até Belém em busca do rei que nasceu.
Representam todos os pagãos, chamados a crer em Cristo. Representam todos nós. Representam a caminhada de todos os povos, anunciada pelo profeta Isaías: "os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora" (Is 60,1-6). A viagem dos magos é imagem do caminho de fé e de esperança que o homem de cada tempo realiza até Deus. A fé é sempre uma busca. Aquele que crê está sempre a caminho.
Chegando em Jerusalém, são mandados a um outro lugar. Agora, sabem com mais precisão, onde podem encontrar o rei. De fato, os escribas são espertos na Sagrada Escritura e dela deduzem o lugar de nascimento do Messias, Belém da Judéia: "E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo".
Os magos, que são pagãos, perseveram na busca do rei, pondo-se de novo a caminho. Por sua vez, os escribas para quem nasceu o rei, ficam indiferentes. Assim, o texto bíblico apresenta um grande contraste: os de fora (magos) buscam e encontram o Salvador e os de dentro (Herodes e os habitantes de Jerusalém) ficam indiferentes, rejeitam, têm medo. Herodes que defendia seu reino com violência e era odiado pelos judeus porque favorecia o império romano, agora, sente-se incomodado pela notícia do nascimento do rei dos judeus. Ele queria matar o menino, como demonstra a matança dos inocentes. Herodes significa todos aqueles que são tão apegados aos próprios interesses que não deixam nenhum espaço para este menino; pelo contrário, este é importuno e ameaçador.
Finalmente, a luz guia os magos até o menino; essa luz é símbolo de Cristo, luz do mundo. Ele nos chama a si através de uma grande variedade de sinais e indicadores luminosos, como a Palavra de Deus.
Os magos vêem o menino, dão-se conta que Ele não apresenta nenhum poder externo, nenhum esplendor; mas mediante a fé, o reconhecem como rei, senhor e pastor da humanidade. Seus presentes também são uma forma de reconhecimento: ouro, incenso e mirra. Ouro destinado aos reis, incenso destinado a Deus e mirra, planta medicinal de onde se estrai uma resina, que misturada a óleos, era usada como óleo curativo, cosmético e unções religiosas: Jesus é o Messias, o Cristo, o Ungido.
Os magos do Oriente não eram nem reis, nem três, nem se chamavam Gaspar, Melquior e Baltazar como apresenta a tradição popular. Isto não corresponde ao texto bíblico. Porém, corresponde ao espírito do Evangelho. São representados por um jovem, um adulto e um ancião; um asiático, um europeu e um africano (o mundo de então, já que as américas e a oceania não tinham sido "descobertas".). Tudo isto para significar que todas as idades e todas as pessoas caminham em direção a esta estrela que é Cristo, luz do mundo.
Jesus veio para todos nós: para os jovens e os idosos, para os sábios e os simples, para as pessoas de qualquer cor e de qualquer forma de vida, a fim de mostrar-nos Deus como Nosso Pai e ser uma Luz para a nossa vida. Como magos, não devemos deixar nos desviar do caminho que é Jesus, e sim sermos guiados por Deus, até atingirmos a meta. Podemos estar longe ou podemos estar perto, mas todos estamos a caminho!

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